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Opuspac University

Implantação de um sistema de dispensação por handhelds: agilidade, sustentabilidade e responsabilidade ambiental

Objetivo

Apresentar um projeto de digitalização de uma farmácia hospitalar, desenvolvido em um hospital filantrópico, de grande porte, na Serra Gaúcha. Também, apresentar os resultados obtidos com tal projeto e, com isso, fomentar outros similares e, consequentemente, a inovação em saúde e a sustentabilidade ambiental.

Método

Trata-se de um estudo transversal e retrospectivo em que foram avaliados os resultados operacionais e econômicos da implantação de um sistema de farmácia mobile®, em uma farmácia hospitalar. Para tanto, foram mensurados os custos evitados com impressões de folhas de ofício e, ademais, fora aferida a eficiência operacional da farmácia hospitalar antes e após a implantação do sistema, levando em conta a quantidade de itens dispensados, por atendente, por turno. Os valores foram, inicialmente, calculados em reais brasileiros e, posteriormente, convertidos em US$.

Resultados

Economicamente, fora evidenciado saving médio mensal de US$ 833,14. E, com isso, return on investment (ROI) de 9 meses. Além dos resultados positivos no âmbito financeiro, houve aumento da eficiência operacional, estimada em 64%, no que se refere a quantidade de itens dispensados, por atendente, por turno.

Conclusão

O aumento da eficiência da operação permitiu, neste contexto, a realocação de colaboradores, de forma a otimizar outros processos da farmácia hospitalar. Assim, o projeto reverberou de forma positiva, em toda instituição. Outrossim, os dados expostos reiteram a importância da inovação em saúde, ao passo que fomentam tais iniciativas. Além dos benefícios econômicos, já esperados pela redução das impressões, fora evidenciado aumento da eficiência do processo de dispensação de medicamentos e materiais médico-hospitalares.

Keywords : Gestão em Saúde; Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde; Indicadores de Sustentabilidade; Serviço de Farmácia Hospitalar; Boas Práticas de Dispensação.

Introdução

Com o intuito de nortear a entrega da melhor assistência possível, o Institute for Healthcare Improvement (IHI) desenvolveu o método Triple Aim, com enfoque em melhorar a experiência do paciente, a saúde das populações e, por fim, reduzir os custos relacionados a assistência1. Sendo este último tópico o foco do presente estudo.

Hodiernamente, a busca pelo desenvolvimento sustentável e digitalização em unidades de saúde são os principais focos da gestão inteligente. Exemplos à esta afirmação são iniciativas HITECH (Health Information Technology for Economic and Clinical Health), desenvolvida nos Estados Unidos da América, bem como o estímulo de 3 bilhões de euros aventado pelo governo Alemão, em 2020, em prol do fomento da digitalização da informação em saúde2.

Além disso, os custos inerentes aos processos hospitalares passam, em grande parte, pelas áreas de logística e supply chain 3. Deste modo, a otimização das rotinas correlatas a este tem potencial de promover a redução de custos. Tal fim, passa por processos diversos, dentre eles, a redução gradativa do uso de papel nas unidades de saúde, fomentando, concomitantemente, a sustentabilidade.

A sustentabilidade, por sua vez, vem se tornando preocupação crescente das instituições de saúde, haja vista o impacto oriundo das atividades hospitalares. O termo Green Healthcare refere-se justamente às práticas hospitalares que vão de encontro à sustentabilidade ambiental4. Estima-se que as atividades antropogênicas possam elevar a temperatura global em 1.5 ºC, em 10 anos5.

O presente estudo tem a finalidade de apresentar um projeto de digitalização de uma farmácia hospitalar, desenvolvido em um hospital filantrópico, de grande porte, na Serra Gaúcha. Outrossim, encorajar, por meio dos resultados aqui expostos, outras instituições a seguirem este modelo.

Metodologia

Trata-se de um estudo transversal e retrospectivo, no qual foram analisados os resultados obtidos com a implantação do sistema de Farmácia Mobile®, em um hospital filantrópico, de grande porte, na Serra Gaúcha.

Os principais sistemas de dispensação de medicamentos são de distribuição coletiva, individualizada e por dose unitária. O hospital em estudo utiliza um sistema misto entre distribuição individualizada, em que o medicamento é dispensado especificamente a um paciente com identificação individualizada, e dose unitária, em que o medicamento é dispensado pronto para administração6.

Antes da implementação do sistema aqui apresentado, todas as prescrições médicas eram impressas na farmácia hospitalar, no momento da prescrição (quando necessidade de uso imediato) ou em turnos (quando medicamentos com horário pré-determinado). O atendente de farmácia, então, separava os medicamentos, conforme prescritos. Após, outro atendente era incumbido de fazer dupla conferência por meio de código de barras ou datamatrix e, então, enviá-los à unidade assistencial (figura 1). Tal processo gerava em média 58.583 impressões, por mês. O processo de dupla conferência por meio de código de barras/data matrix é reconhecido como barreira importante à contenção de erros de dispensação e, desta forma, fora mantido no novo sistema7. No entanto, tal coleta de dados é feita por meio de um coletor portátil (handhelds).

Para implantação do supracitado sistema, fora, a priori, calculado o ROI (Returno on Investment). Este cálculo permite estimar os potenciais benefícios econômicos de um investimento8. Para adequação, fora necessário investimento em hardware e software específicos, sendo aplicativo ligado diretamente aos prontuários eletrônicos. O investimento total foi de US$ 7.397,00, sendo US$ 4.400,74 em hardware, US$ 1.872,65 em software e US$ 1.123,59 em infraestrutura. Os valores foram, incialmente, aferidos em reais brasileiro e, posteriormente, convertidos em US$, conforme índice de conversão de 20219.

Os resultados econômicos foram aferidos em semestres, em que se mensurou os custos correlatos ao processo antigo (maio a outubro de 2021) e de um semestre pós-implantação (dezembro de 2021 a maio de 2022). A implantação ocorreu no mês de novembro de 2021, assim, este período foi excluído da análise.

Para análise da eficiência operacional, foi avaliada a quantidade de itens dispensados por atendente, por turno de trabalho. Para tanto, selecionou-se quatro meses (maio, junho, julho, agosto) de 2021 e quatro meses (maio, junho, julho, agosto) de 2022. A opção pelo mesmo período do ano se deu em função da sazonalidade experimentada pelo serviço.

Resultados

A partir da implantação do sistema de Farmácia Mobile®, os resultados foram evidenciados imediatamente, tanto de maneira subjetiva (não mensurável): a redução do ruído oriundo das impressoras, por exemplo. Como, também, de formas objetivas, aqui apresentados.

Do ponto de vista financeiro, a economia correlata às impressões foi mensurada em US$ 833,14, ao mês. Assim, o ROI foi estimado em 9 meses. A queda no consumo de folhas de ofício está apresentada na figura 2. Antes da implantação do projeto, 58.583 eram consumidas, em média, mensalmente, pela farmácia hospitalar.

No que tange à eficiência operacional, verificou-se aumento médio de 64% na quantidade de itens dispensados, por atendente, por turno de trabalho (figura 3).

Discussão

Outros estudos aventaram a viabilidade da digitalização de processos, tanto do ponto de vista econômico (no que se refere a otimização de processos e uso de mão-de-obra), quanto no que se refere à sustentabilidade10,11.

Ademais, evidencia-se na figura 3 o aumento da agilidade no atendimento das solicitações, promovendo a entrega mais rápida à assistência e, destarte, corroborando para outro tópico do Triple Aim em saúde: a melhoria na experiência do paciente.

Tendo em vista que o adequado serviço de assistência farmacêutica está intrinsecamente ligada à logística, pode-se afirmar que o projeto aqui exposto promoveu melhorias, também, no processo clínico, posto que o medicamento chega mais rapidamente à assistência12.

Além do aumento da agilidade gerada pelo projeto, houve melhoria no processo de identificação do paciente, uma vez que o Farmácia Mobile® gerou necessidade de dupla-checagem deste dado, antes inexistente. Sendo a identificação do paciente uma das Metas Internacionais de Segurança do Paciente, é possível afirmar que o projeto corrobora, também, para a segurança assistencial13.

Conclusão

Por fim, impende reiterar a importância do fomento à inovação em saúde, sobretudo com vistas à sustentabilidade e, ainda, aos potenciais benefícios econômicos inerentes a tais práticas. Considerando os dados expostos, infere crer que os objetivo de apresentar o projeto, bem como o de encorajar outras instituições a seguirem estratégias similares, foram alcançados.

Fontes de financiamento

A pesquisa não recebeu financiamento para a sua realização, e os custos foram de inteira responsabilidade dos pesquisadores.

Colaboradores

BF: Análise e interpretação dos dados; redação do artigo.

BDS: concepção do projeto; revisão crítica do conteúdo intelectual; análise dos dados.

Declaração de conflito de interesses

Os autores declaram inexistência de conflitos de interesses em relação a este artigo.

Referências

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3.      Mathy C, Pascal C, Fizesan M, Boin C, Délèze N, Aujoulat O. Automated hospital pharmacy supply chain and the evaluation of organisational impacts and costs. Supply Chain Forum An Int J [Internet]. 2020 Jul 2;21(3):206–218. Available from: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/16258312.2020.1784687

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Processo AntesProcesso Após
Prescrição médica
Prescrição médica
Impressão da prescrição, na farmáciaSinalização no painel de solicitações
Leitura da prescrição e separação dos medicamentos pelo atendente 1
Separação e dupla checagem, por meio de código de barras ou datamatrix, pelo atendente 1
Dupla checagem dos medicamentos, por meio de código de barras ou datamatrix, pelo atendente 2
Embalagem e identificação com etiqueta do paciente, pelo atendente 1
Embalagem e identificação com etiqueta do paciente, pelo atendente 2
Dupla checagem da identificação do paciente, por meio de código de barras.
Envio à unidade assistencialEnvio à unidade assistencial
Figura 1 – Fluxograma de processos antes e depois da implantação do sistema de Farmácia Mobile®
Figura 1 – Fluxograma de processos antes e depois da implantação do sistema de Farmácia Mobile®
Figure 3 – Itens dispensados, por atendente, por turno de trabalho

Autor: Boaro, Fernando; Bruscato, Diana Saiara

Implementação de práticas de estímulo a notificação de Eventos Adversos no contexto da Assistência Hospital: um relato de caso

Ao falar sobre cuidados eficazes e seguros com o paciente, uma ferramenta que auxilia este processo é a notificação de eventos adversos. E apesar da sua relevância, ainda há uma lacuna quanto a sua utilização pelas equipes de trabalhos e os métodos para abordagem dos apontamentos pelas coordenações.

Para Vicent e Amalberti (2016, p.02) o progresso no mapeamento e da compreensão dos eventos relacionados à segurança do paciente perpassa pela notificação dos eventos adversos como fonte de informação.

O lócus do relato de caso foi um hospital geral, filantrópico, médio porte, com foco no atendimento materno e infantil, referência regional destas especialidades para cerca de 165.299 habitantes (IBGE, 2009), localizado na cidade de União da Vitória/PR.  

Para estipular uma metodologia assertiva para incentivo aos apontamentos dos eventos adversos foi realizado um estudo, que contemplou os meses de agosto/2022 a agosto/2023, no qual foi avaliado o número total de notificações e o tipo de eventos adversos relatados pelas equipes, mês a mês. A qual apresentou um número baixo do esperado, pontuando 20 relatos, em média.

Tais números não relatavam a realidade, logo que era possível visualizar nas atividades coligadas ou no contato com pacientes e acompanhantes, a presença de erros ou quase erros que poderiam causar algum nível de risco aos pacientes.

E para buscar sanar esta dificuldade o Núcleo de Segurança do Paciente – NSP, que após diversas reuniões, definiu que seria realizado um acompanhamento setorial constante e presencial, que buscaria sensibilizar a equipe quanto à necessidade de notificação de erros ou quase erros, além de aumentar a divulgação das metas internacionais de segurança do pacientes, buscando o engajamento de todos.

As primeiras ações focaram nos eventos adversos ligados a lesão por pressão, queda, identificação correta do paciente e segurança na cadeia medicamentosa, visando atender as metas internacionais de segurança do paciente, que serviram de norte para orientar este projeto.

Para acompanhar o trabalho e sanar possíveis dúvidas, os integrantes do NSP realizaram mensalmente, além de contar com o apoio das lideranças setoriais diariamente, visitas aos postos de trabalho, abordando, em pequenos grupos, as metas internacionais de segurança do paciente, descrevendo-as e questionando-os sobre situações que ocorrem diariamente na assistência ao paciente.

Esse método, mais próximo de abordagem, permite, através de uma roda de conversa, que sejam descritos e expostos fatos aos quais estão submetidos corriqueiramente e, principalmente através da utilização de formulário otimizado e intuitivo (ANEXO I), o relato das ocorrências, apoiando o NSP na mensuração dos dados e, por consequência, na tomada de decisão de melhorias nos processos e estratégias de trabalho.

 Esta perspectiva permitiu aproximar e fortalecer o vínculo entre o NSP e colaboradores, trazendo uma sensação de pertencimento, responsabilidade e engajamento. Também foi possível observar que os colaboradores compreenderam que as notificações têm o objetivo de melhorar os processos e garantir a segurança do paciente, tirando o foco da punição pelos erros ou quase erros, postura que levava a não notificação dos eventos que ocorriam.

Atualmente são enviadas através do NOTIVISA (Sistema Nacional de Notificações para Vigilância Sanitária) 25 notificações em média, sendo as mais constantes, troca de medicação, quedas, lesão por pressão e falhas na identificação correta dos pacientes. Sendo que todos os eventos adversos relatados são informados no referido sistema.

Com essa tratativa pode-se identificar um perfil referente a cada situação descrita, sendo que das 18 lesões por pressão notificadas, 90% dos pacientes já internaram com a lesão, isso demonstra que o evento adverso iniciou-se em seu domicílio, sendo demonstrada uma fragilidade na Atenção Básica em Saúde no nível primário, situação esta, que sobrecarrega o nível terciário.

Foi possível identificar 12 quedas de janeiro a setembro de 2023, sendo a Unidade de Terapia Intensiva Adulto o setor de maior acometimento. Ao analisar o perfil, percebe-se maior incidência em pacientes que sofreram Acidente Vascular Encefálico com a presença de sequelas significativas (limitação motora momentânea) e pacientes com idade superior a 60 anos.

O maior número de eventos está relacionado à cadeia medicamentosa, totalizando 108 notificações no NOTIVISA, no período de agosto/2022 a agosto/2023. Sendo possível visualizar que a troca de medicação, prescrição errada, e erros nas fases de dispensação e administração dos fármacos são as situações mais recorentes. Com esse número expressivo foi realizado um mapeamento das fragilidades da distribuição, diluição e administração de fármacos, adotando a partir desta avaliação, a dupla checagem, farmácia clínica, aumento na contratação de profissionais envolvidos na cadeia medicamentosa e a visita da farmacêutica clínica nos setores de internações visando estabelecer a reconciliação medicamentosa e o acompanhamento farmacoterapêutico.

O aumento das notificações foi capaz de mapear, com maior clareza, as fragilidades dos processos e definir novas estratégias, melhorando, desta forma, os indicadores de assistência segura.

VINCENT, C.; AMALBERTI, R. Cuidado de Saúde mais Seguro Estratégias para o cotidiano do cuidado. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://proqualis.fiocruz.br/sites/proqualis.fiocruz.br/files/Cuidado%20de%20Sa%C3%BAde%20mais%20Seguro%20-%20PDF.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2023.

Autor: SANTOS, Raquel T. dos

Otimização da Logística de Distribuição de Medicamentos e Materiais através do desenvolvimento e implantação de ferramenta digital na Saúde e suporte Home Care

Introdução

Os processos de controle de dispensação de medicamento, materiais e insumos realizados pelo Saúde e Suporte home care em Alagoas eram realizados de forma manual por rotas de logística. Fragilidades nesses processos, decorrentes da falta de informatização, impactam diretamente na qualidade da entrega dos materiais e medicamentos nas residências dos pacientes. O crescimento do número de admissões de pacientes entre 2021 e 2022 em 38% com a adição de mais três rotas de logística tornou o desafio ainda maior. A solução digital deve organizar de modo sequencial e eletrônico as rotas de distribuição, além dos processos da farmácia, de forma que todos os envolvidos possam visualizar o cumprimento dessas atividades em tempo real.

Método

Realizar sensibilização com as equipes envolvidas em toda a cadeia de liberação de prescrição, farmácia e logística, para debater sobre os as fragilidades do formato manual. Foi sugerido a construção do painel reunindo informações dos processos de cada equipe para a proposta do layout. A equipe de T.I. desenvolveu a ferramenta digital de outubro a novembro de 2021, sendo implantado em dezembro de 2021. Foi realizado treinamento com as equipes envolvidas e coleta de feedbacks para ajustes necessários. Não houve custos no desenvolvimento visto que a programadora é colaboradora da empresa e o servidor que armazena as informações de prontuário eletrônico são próprios.

Resultados

Foram cadastradas 6 rotas de Maceió, com média de 18 pacientes/rota e mais 8 rotas dos demais municípios. De jan a dez/22, houve atendimento de 2092 prescrições. Com a ferramenta monitoramos a quantidade de kits com pendência de dispensação, que inicialmente eram 10%. Esta informação possibilita um monitoramento real e ativo das pendências o que não era possível com a metodologia anterior. Em 2022, foi proposto a inclusão de botões que, quando habilitado, mudaria de cor para sinalizar o registro de pendência por paciente. Estes, eram registrados de forma manual na folha de separação, em caso de perda a pendência tinha que ser acessada via sistema operacional de paciente por paciente. Em 2023 existiram ocorrências associadas a falha de comunicação entre farmácia e o setor de compras onde o auxiliar de farmácia transcrevia as pendências e repassava ao compras. Foi implementado o campo digitável para deixar registrado as pendências ocorridas, assim como incluir informações de doses e quantidades, tornando a informação completa e acessível ao setor de compras. 

Conclusão

A ferramenta tem se mostrado útil na rotina da farmácia e na comunicação entre setores para o efetivo gerenciamento das rotas de entrega, assim como monitoramento das pendências de materiais e medicamentos. Em 2022, o indicador de gerenciamento das pendências de dispensação foi de 10% no primeiro mês monitorado, à medida que fomos propondo ações de controle de estoque e dispensação, houve redução gradativa onde o menor mês contabilizado foi 3% de pendências, se repetindo nos meses de abril, setembro e novembro. Sendo a média geral anual de 5%.

Autores: BORGES, Amanda Sá; DOS SANTOS, Ana Patrícia; MEDEIROS, Jéssica; FEITOSA, Jonathas; MONTENEGRO, Jucicleide; MESSIAS, Manoel; PACHECO, Pedro.

Intervenções Farmacêuticas na realização do cuidado ao paciente em um Home Care na cidade de Maceió-Alagoas

Introdução

A Atenção Domiciliar (AD) é definida como uma modalidade de atenção à saúde que envolve ações de promoção da saúde, prevenção, tratamento, reabilitação e paliação fora do ambiente hospitalar. Neste contexto o farmacêutico está inserido na equipe multidisciplinar como profissional de competência técnica apto para prestar os cuidados ao paciente no que se refere a terapia medicamentosa trazendo sua contribuição para um processo terapêutico efetivo e resultados satisfatórios. Estudos demonstraram diminuição significativa do número de erros de medicação em instituições nas quais farmacêuticos realizaram intervenções junto ao corpo clínico, e reforçam a ideia de que a intervenção farmacêutica reduz o número de eventos adversos, aumenta a qualidade assistencial e diminui custos hospitalares. 

Objetivo

O objetivo deste trabalho foi avaliar o perfil de intervenções farmacêuticas propostas, através das revisões da farmacoterapia dos pacientes visitados pelo programa de farmácia clínica na atenção domiciliar, conduzidas por farmacêuticos clínicos em um home care na cidade de Maceió/Alagoas.

Metodologia

A metodologia adotada se baseia na Política de Farmácia Clínica instituída pelo serviço de farmácia do home care. Foi realizado um estudo prospectivo descritivo realizando o acompanhamento farmacoterapêutico de 398 pacientes em Programa de Internamento Domiciliar (PID) no período de janeiro a dezembro de 2022 com análise de 1665 prescrições médicas.

Resultados

Das 330 intervenções geradas relacionados a análise de prescrição e assistência no domicilio dos pacientes, obteve-se 87% de adesão as intervenções propostas pelo farmacêutico clínico para otimizar a terapia medicamentosa proposta. 73% das intervenções estão relacionados a análise clínica da prescrição médica e 37% estão relacionadas a pontos observados durante a visita domiciliar.

Conclusão

É possível evidenciar a incidência de intervenção em 83% dos pacientes avaliados que corrobora a importância do farmacêutico clínico no cuidado ao paciente na atenção domiciliar, assim como sua contribuição na promoção de resultados clínicos efetivos mediante rotina de avaliação farmacêutica da prescrição médica associado à visita domiciliar, e o estímulo à segurança da prescrição e administração de medicamentos.

Autores : SILVA, Emmanuelle de A. Cerqueira; DA SILVA, Manoel Messias; BORGES, Amanda Sá; Dayná Larissa.

O uso da tecnologia para garantia da dose correta de medicamentos em um Hospital do Agreste Pernambuco

Resumo

A farmácia hospitalar tem como objetivo, no contexto de segurança do paciente, colaborar no processo de cuidado à saúde e bem estar, certificando-se que o paciente utilize o medicamento prescrito, na apresentação, horário, dose, posologia e vias adequadas, evitando erros associados aos medicamentos. Como medida importante para diminuir a ocorrência de erros está o processo de unitarização de medicamentos, que garante maior segurança e eficiência, procurando assegurar a qualidade e rastreabilidade do produto, diminuindo os erros associados.

Objetivo

Este trabalho tem como objetivo analisar o uso da tecnologia de fracionamento de medicamentos por meio da técnica de unitarização de líquidos, no período de 01 de dezembro de 2022 a 31 de maio de 2023, em um serviço de saúde hospitalar.

Métodos

Realizou-se um estudo descritivo, com abordagem quantitativa, a coleta foi efetuada a partir de informações de dados internos, utilizando o Sistema SoulMV, no período de dezembro de 2022 a maio de 2023. Para o estudo foram selecionadas amostras piloto de quatro medicamentos para análise e comparação de medicamentos prescritos x atendidos. O processamento dos dados foi feito por meio de gráficos.

Resultados

Foi demonstrado, com a unitarização de líquidos, redução significativa no consumo total de frascos, menores divergências no estoque e maior rastreabilidade e segurança do paciente, além de outras melhorias no aspecto assistencial, após a implantação da unitarizadora observa-se que o volume de atendido se equilibra com o prescrito, mesmo ocorrendo uma perda de aproximadamente 5% na produção dos sachês.

Conclusão

Demonstrou-se que a unitarização de medicamentos líquidos reduz erros associados a liberação e administração destes medicamentos, além de evitar custos pela redução de perdas, desperdícios e desvios, ampliando a eficiência e a sustentabilidade do serviço.

Introdução

A farmácia hospitalar é um serviço de saúde responsável pelo armazenamento, distribuição, dispensação e controle de todos os medicamentos e materiais essenciais no processo de recuperação da saúde (DALLARMI, 2020). Tem entre seus objetivos, assegurar o uso seguro e racional de medicamentos, atender às necessidades dos pacientes hospitalizados e garantir que os produtos ofertados sejam de qualidade. No entanto, para alcançar tais objetivos, é preciso dispor de um sistema eficiente de informação, controle de estoque e acompanhamento de custos (RODRIGUES; PAIVA, 2022).

Ademais, considerando a importância da segurança do paciente dentro dos serviços de saúde, consistindo no ato de prevenir, evitar e aprimorar os resultados e danos ligados ao cuidado à saúde, a farmácia hospitalar tem como objetivo, neste aspecto, colaborar no processo de cuidado à saúde e bem estar, através da prestação de assistência de qualidade (TRAJANO; COMARELLA,2019). Desse modo, certificando que o paciente utilize o medicamento prescrito, na apresentação, horário, dose, posologia e vias adequadas, evitando erros associados aos medicamentos; uma vez que erros de prescrição e medicação podem causar danos significativos aos pacientes, estimando-se que em 7,6% das internações hospitalares no Brasil, observa-se a incidência desses eventos adversos relacionados a medicamentos (MELO; OLIVEIRA, 2021; ALVES; CARVALHO; ALBUQUERQUE, 2020).

A prevenção de eventos adversos parte da adesão a medidas que ajudem a diminuir a possibilidade de sua ocorrência (FOGAÇA; GARCIA, 2020). Como medida importante para diminuir a ocorrência de erros está o processo de unitarização de medicamentos e insumos, que garante maior segurança e eficiência, procurando assegurar a qualidade e rastreabilidade do produto até a administração no paciente, diminuindo os erros associados. Nesse processo, é realizada a distribuição a partir de uma embalagem unitarizada com formas e dosagens prontas, para o paciente com supervisão farmacêutica durante todo o processo (CAMPELO; COSTA; D’AVILA, 2023).

Os objetivos do fracionamento de medicamentos líquidos são: disponibilizar as doses de medicamentos prescritos de forma individualizada, garantir a identificação do medicamento até chegar ao paciente, proteger o medicamento dos agentes do meio ambiente e de deterioração causada pelo manuseio e assegurar a utilização do medicamento com rapidez e segurança para o paciente, a qual é obtida pela soma dos fatores anteriores, assim como contribuir com a redução de custos, aqueles associados a perda por validade de insumos (RODRIGUES; PAIVA, 2022).

Diante disso, este trabalho pretende demonstrar uma das estratégias adotadas em um serviço hospitalar privado na região do Agreste Pernambucano, destacando o uso da tecnologia como fator colaborador para a segurança do paciente e aliada na diminuição de desperdícios e evasão de medicamentos líquidos, além de verificar os benefícios após implantação do equipamento unitarizadora de líquidos no serviço, garantindo eficiência econômica e assistencial.

Método

Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem quantitativa, utilizando métodos estatísticos para demonstrar os resultados de antes e depois da implantação da máquina unitarizadora de líquidos. Utilizou-se para coleta de dados o relatório de consumo dos medicamentos líquidos orais, emitido pelo Sistema Soul MV, os quais correspondem a dados de domínio público, e não utilizou, em nenhuma de suas etapas, dados de usuários/pacientes, dispensando a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. O período estudado corresponde aos meses de dezembro de 2022 a maio de 2023, no Hospital Unimed Caruaru, Pernambuco. Esta coleta baseou-se em uma comparação do percentual de mL prescrito versus mL atendidos pela farmácia antes e após a implantação do serviço de fracionamento de medicamentos líquidos.

A máquina Opus MK5 – unitarizadora e fracionadora utilizada pertence à marca Opuspac, com especificações de tamanho desde 30 x 50 mm até 50 x 250 mm; e promete uma produção de 1.200 unidades de sachês por hora, com mais economia, segurança, controle de estoque, qualidade e agilidade nos processos (BASSO, 2021). Para implantação do serviço de unitarização de líquidos, a equipe de Farmácia do Hospital definiu volume e dosagem dos sachês selecionados a partir de análise histórica das prescrições, gerando embalagens com melhor apresentação e sachês com volumes diferentes.

Inicialmente, foram selecionados quatro medicamentos para análise e comparação, sendo eles: simeticona 75mg/mL, frasco de 15mL; ibuprofeno 100mg/mL, frasco de 20mL, dipirona 50mg/mL, frasco de 100mL e lactulose 667mg/mL, frasco de 120mL. Esses medicamentos foram escolhidos a partir da observação de alto consumo no serviço, sendo estes os medicamentos líquidos administrados por via oral mais utilizados no Hospital, além da observação de grandes divergências de acurácia de estoque nestes itens.

Em seguida foram emitidos os relatórios que demonstram o consumo destes medicamentos em período anterior à implantação do serviço, descrito na Tabela 1, e em período posterior à implantação, para fins comparativos, considerando que a prescrição e alimentação do banco de dados deste Hospital se dá a partir de mililitros (mL) não por unidade de frascos de medicamentos.

A partir disto e considerando a natureza dos dados obtidos, os resultados foram trabalhados no programa Microsoft Excel 2013 e apresentados por meio de gráficos, utilizando-se estatística descritiva e não inferencial, já que este estudo tem caráter exploratório e não há a pretensão de generalização estatística dos resultados. Assim, os dados de prescrição e atendimento foram dispostos e analisados segundo a divergência entre estes dois parâmetros.

Resultados e Discussão

Anteriormente à implantação da máquina unitarizadora MK5, os frascos de medicamentos líquidos multidose eram utilizados diversas vezes por um ou mais pacientes, com isto, sabe-se que este tipo de fracionamento acarreta risco de contaminação entre os pacientes, além da utilização de frascos de dose múltipla não garantir uma segura administração logo após a segunda dose, uma vez que depois de aberto, a estabilidade e a segurança das soluções orais não são mais garantidas.

Como resultado da implantação deste serviço, houve redução significativa no consumo total de frascos, menores divergências no estoque e maior rastreabilidade e segurança do paciente. Conforme é apresentado no Gráfico 1 e 2, observa-se que antes da unitarização de líquidos, o volume atendido era superior ao prescrito, o que pode ser justificado pela imprecisão na dose administrada, desvios e perdas durante o processo de administração do medicamento. Assim, após a implantação da unitarizadora observa-se que o volume de atendido se equilibra com o prescrito, mesmo ocorrendo uma perda de aproximadamente 5% na produção dos sachês, a Tabela 1 apresenta a equivalência de cada frasco para quantidade de sachês.

As divergências ainda observadas nos Gráficos 3 e 4 são justificadas, principalmente, pela prescrição de doses que exigem frações do sachê, como exemplo, a Lactulose (Gráfico 3), é por vezes prescrito e administrado apenas 1mL, mas, como demonstrado, o sachê equivale a 5mL. Com isto, há um volume atendido maior que o prescrito. Contudo, este tipo de prescrição não corresponde à maioria e observou-se no Hospital Unimed Caruaru uma redução no consumo total dos frascos destes itens.

Além disso, houve melhoras no aspecto assistencial, uma vez que tem-se garantido que o medicamento prescrito chegará ao paciente para o qual foi destinado, de acordo com a prescrição médica e melhor utilização dos recursos humanos, já que houve diminuição no tempo de manipulação dos medicamentos, havendo mais tempo para o cuidado do paciente; diminui o custo hospitalar associado ao medicamento, por ter aumentado a acurácia dos estoques; reduziu os desperdícios por perdas, deterioração, vencimento e outros fatores; dentre outros benefícios.

Tabela 1: Equivalência frascos x sachês.

MEDICAMENTOFORMA FARMACÊUTICAVOLUME DO SACHÊEQUIVALÊNCIA FRASCO/SACHÊINÍCIO DA UNITARIZAÇÃO
SIMETICONA 75MG/ML 15MLEMULSÃO ORAL2ML1 FRASCO/5 SACHÊS02/2023
IBUPROFENO 100MG/ML 20MLSUSPENSÃO ORAL2ML1 FRASCO/6 SACHÊS02/2023
LACTULOSE 667MG/ML 120MLXAROPE5ML1 FRASCO/21 SACHÊS03/2023
DIPIRONA 50MG/ML 100MLSUSPENSÃO ORAL5ML1 FRASCO/17 SACHÊS03/2023
Fonte: autoria própria

  Fonte: autoria própria

Conclusão

Diante do exposto, ao aplicar a estratégia de fracionamento de medicamentos líquidos aqui descrita, observou-se a redução de erros associados a liberação e administração destes medicamentos, além de considerável economia através de custos evitados pela redução de perdas, desperdícios e desvios. A união de inovações tecnológicas, protocolos e outras estratégias, colaboram com a eficiência e segurança da assistência e melhoram a abordagem econômica.

No Brasil, a utilização da automação para o fracionamento de medicamentos líquidos orais é pouco difundida pelos hospitais, sendo assim uma inovação de tecnologia para os serviços de saúde. Os medicamentos representam uma alta parcela no orçamento dos hospitais e são o principal recurso terapêutico no tratamento de grande parte das doenças, justificando, portanto, a implantação de medidas que assegurem o seu uso racional.

Afirma-se também que o investimento em tecnologia e maquinário é justificado e compensado a médio e longo prazo, uma vez que os custos evitados aumentam ao passar do tempo, e a dispensação diferenciada de doses-padrão por paciente e para um período de 24 horas diminuirão naturalmente o custo com estoque, gastos com doses excedentes e a melhoria do controle de estoque e faturamento.

Referências

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Autores:

1 Juciara Jucelia de França; 2 Thamiris Silva Bezerra de Sousa; 3 Thais Ribeiro de Moura; 4 Hugo Leonardo de Vidal Neves.

1 Farmacêutica Hospitalar, Hospital Unimed Caruaru, pós graduada em Farmácia Clínica (IDE) e Saúde Pública (FAVENI);  ² Farmacêutica Hospitalar, Hospital Unimed Caruaru, pós graduada em Saúde Mental (FCM-UPE) e Farmácia Hospitalar e Clínica (FAVENI);   3 Farmacêutica Clínica Hospital Unimed Caruaru, pós graduada em Saúde Coletiva (ESPPE), Farmácia Hospitalar (FARMART) e Farmácia Clínica (UniAmérica); 4 Gerente de Suprimentos Hospital Unimed Caruaru.

E-mail dos autores: [email protected]¹ ; [email protected][email protected]³ [email protected]

Unitarização de medicamentos orais em neonatologia: benefícios econômicos e para a Segurança do Paciente

O sistema de distribuição de medicamentos em hospitais e outras instituições de saúde está diretamente relacionado com a frequência de erros de medicação. Nesse cenário, a população pediátrica torna-se vulnerável aos incidentes relacionados a medicamentos nas instituições de saúde devido a carência de formulações pediátricas disponíveis no mercado e, consequentemente, o uso de medicamentos off label e as pequenas doses prescritas dificultando o preparo e administração. Esses fatores expõem os pacientes pediátricos a ocorrência de eventos adversos. Estes eventos adversos evitáveis, por sua vez, poderão aumentar a morbidades com prolongamento do tempo de internação ou retardamento de sua recuperação. Uma das estratégias para tentar minimizar essas limitações relacionadas à terapia dos pacientes neonatos, auxiliando na oferta de maior segurança ao paciente durante o processo de medicação, é a utilização do sistema de distribuição de medicamentos por dose unitária (SDMDU). Dentre os sistemas existentes na atualidade, o SDMDU, preferencialmente com recursos de automatização, é considerado o oferece maior segurança ao paciente.

Nesse sistema, os medicamentos são dispensados nas dosagens e formas adequadas para o paciente, prontos para serem administrados pela enfermagem, de acordo com a prescrição médica, num dado período, incluindo a avaliação da prescrição pelo farmacêutico como mais uma barreira para possíveis erros de medicação. Embora esta seja a etapa mais complexa, o procedimento de análise da prescrição antes da preparação dos medicamentos evita que possíveis erros de prescrição tenham seguimento na dispensação e culminem na administração ao paciente. O farmacêutico deve avaliar ainda a compatibilidade dos medicamentos, esquemas posológicos, interações medicamentosas e alimentares, alergias e realizar a conciliação medicamentosa. É importante também analisar as doses mínimas e máximas, bem como alertas de dose conforme parâmetros clínicos do paciente (ex: função renal, hepática, peso, superfície corpórea, entre outros), sempre de acordo com os protocolos institucionais. O ambiente no qual é realizada o preparo e a dispensação de medicamentos deve possuir as condições adequadas, privilegiando a segurança do processo de dispensação. O uso de formas farmacêuticas líquidas para administração oral, como soluções, xaropes e suspensões são de grande importância para pacientes pediátricos, dada a versatilidade para personalização de dose. Algumas estratégias para evitar erros de medicação com formulações líquidas em pediatria é o uso de seringas para administração oral em função da sua maior capacidade de precisão.

Desse modo, o uso de uma solução tecnológica automatizada para fracionamento de líquidos em seringas, na quantidade precisa, conforme prescrição, evitando desperdícios e otimizando o tempo e a entrega tem muitos benefícios para a segurança do paciente e para a economia nas instituições em saúde.  A automação em Farmácia Hospitalar está diretamente ligada a economia, pois reduz o tempo envolvido nos processos e retrabalho vinculados às rotinas da farmácia. Os medicamentos representam alto valor financeiro nas instituições e, considerando o cenário financeiro em saúde, com recursos cada vez mais escassos, a busca da economia atrelada a segurança do paciente contribuirá para a sustentabilidade financeira da instituição e segurança no uso racional de medicamentos. Além disso, esse processo traz benefícios para a assistência ao paciente, pois permite que a equipe de enfermagem esteja dedicada aos processos da assistência.

A unitarização de líquidos desse modo é uma melhoria significativa para tornar os processos de farmácia hospitalar mais enxutos e inteligentes, principalmente em reduzir os retrabalhos inerente à unitarização, dispensação e devolução durante toda a trajetória do medicamento na instituição de saúde.

Autor: PAIVA, Núbia de Araújo

Impacto Farmacoeconômico na dispensação racional de Morfina 10mg para pacientes oncológicos em uma Farmácia Ambulatorial do SUS

Resumo

De acordo com a OMS, uso racional de medicamento ocorre quando os pacientes recebem medicamentos em doses adequadas às suas necessidades, por um período adequado e ao menor custo. O mercado apresenta carências nas variações de apresentações, abrindo um amplo campo para atuação do Farmacêutico.

Objetivo

Racionalizar a dispensação de Morfina 10mg caixa com 50 comprimidos com o objetivo de aumentar a segurança do paciente, evitando o consumo indevido e diminuir custo na dispensação.

Método

Padronização de embalagem de 12x15cm. Avaliação das posologias prescritas, chegando ao quantitativo de 20cp para atender a maioria das receitas. Levantamento do consumo mensal da Farmácia Ambulatorial pela Farmacotécnica para mensurar a capacidade de produção do processo de reembalar dois blisters com 10cp, formando kit para dispensação. Dados analisados foram no período pré-implantação de Novembro/2018 à Abril/2019, e pós-implantação de Maio/2019 à Outubro/2019. Para corroborar os resultados, utilizamos a ferramenta estatística Teste de Hipótese, do Software Minitab®.  A Farmacoeconomia foi embasada pela diminuição de comprimidos dispensados, juntamente com custo da embalagem padronizada.

Resultados

Foram analisados 115 dias de atendimentos pré-implantação e 126 dias pós- implantação. Primeira variável foi a média diária de atendimentos. No período pré-implantação a média foi de 39 atendimentos, contra 38 pós-implantação. O resultado do Teste de Hipótese foi valor-p: 0,449 confirmando que a redução de atendimentos diários não foi significativa. Portanto a média de atendimentos não tem influência sobre o quantitativo dispensado pós-implantação. Segunda variável foi a média diária de comprimidos dispensados. No período pré-implantação a média foi de 3.835 comprimidos, contra 3.135 pós-implantação. O resultado do Teste de Hipótese foi valor- p: 0,000 confirmando que a diminuição de comprimidos dispensados diariamente foi significativa. Farmacoeconomia obtida foi de R$ 27.286,16.

Conclusão

O resultado obtido demonstra a importância da Gestão Farmacêutica buscar estratégias capazes de gerar melhorias no processo de forma simples e rápida. Gerando ganho financeiro e impacto positivo na segurança do paciente. Demonstrando que é viável aplicar a melhoria em diversos medicamentos.

Palavras-chave

Oncologia, Gestão Hospitalar, Uso racional de medicamento, Farmacoeconomia, Segurança do Paciente.

Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Medicamentos. Brasília: Ministério da Saúde; 2001.

Autores:

HISSATOMI, Thomaz Massao – [email protected] – São Paulo/SP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

SILVA, Luiz Ivan Henrique da – [email protected] – São Paulo/SP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

SOUSA, Cintia de Oliveira – [email protected] –  São Paulo/SP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

PEREIRA, Maira Takahashi Frantzen – [email protected] – São Paulo/SP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

Aplicação do conceito Just in Time na dispensação de materiais e medicamentos em Farmácia Hospitalar

Resumo

Nos tempos atuais a segurança do paciente tem sido apontada como chave fundamental na prestação de um bom serviço de saúde. O abastecimento de medicação na dose certa e no momento exato da aplicação garante o bom gerenciamento do insumo frente à necessidade assistencial. O foco deste trabalho é apresentar um estudo no qual é possível realizar uma logística de dispensação com entregas a cada 2 horas. O conceito Just in time, desenvolvido no sistema Toyota de produção é perfeitamente aplicado neste contexto garantindo assim uma logística eficiente baseada na entrega ponto a ponto e on time e em consonância com o plano terapêutico definido pela equipe médica no início do tratamento. O método consiste em realizar o picking do material e medicamento baseado na prescrição médica, realizar a separação em kits por paciente bem como identificar a entrega com os dados dos materiais/paciente e realizar a entrega ao cliente em até 10 minutos antes da aplicação, garantindo a rastreabilidade a perda reduzindo eventos adversos como atraso e/ou troca de medicamentos.  

Palavras-chave: Medicação; Prescrição; Segurança.

Abstract

In current times patient safety has been identified as a key key in providing a good health service. The medication supply in the right dose and at the exact moment of the application guarantees the good management of the input in front of the care need. The focus of this paper is to present a study in which it is possible to carry out dispensing logistics with deliveries every 2 hours. The Just in Time concept developed in the Toyota production system is perfectly applied in this context, thus ensuring efficient logistics based on point-to-point and on-time delivery and in line with the therapeutic plan defined by the medical team at the beginning of treatment. The method consists of picking the material and medicine based on the medical prescription, separating in kits per patient as well as identifying the delivery with the data of the materials / patient and performing the delivery to the client within 10 minutes before the application, ensuring Traceability to loss by reducing adverse events such as delay and / or drug switching.

Keywords: Medication; Prescription; Safety

Introdução

Atualmente as empresas de serviços de saúde, especialmente os hospitais tem buscado formas sustentáveis de reduzir seus custos hospitalares e com um aumento significativo na qualidade do serviço prestado e encontrar o ponto de equilíbrio entre estes dois vetores coloca a instituição em evidencia no mercado. Para viabilizar esta nova forma de administração, os hospitais estão começando a implementar o Lean Healthcare como ferramenta de melhoria contínua nos seus processos assistenciais e administrativos, identificando pontos de melhoria e atuando de maneira simples no processo. E seguindo esta linha de raciocínio. Segundo (OLIVEIRA, T,S):

“A logística representa uma importante e complexa função de apoio dentro do hospital, assegurando a correta e ótima movimentação dos fluxos de materiais, informações e pessoas afim de que os cuidados médicos (competência essencial) sejam prestados com eficácia aos pacientes”

 Nos dias atuais a segurança do paciente tem sido apontada como chave fundamental na prestação de um bom serviço de saúde, mas com grandes desafios, pois atualmente este é um setor que sofre para manter sua política de qualidade em função da variabilidade dos seus processos. Devido a esse cenário cada vez mais as instituições estão entendendo os benefícios que a metodologia Lean Healthcare traz para a instituição substituindo algumas atividades realizadas empiricamente e assim conseguir um melhor controle e padronização dos seus processos internos.

Neste estudo abordamos o tema logística hospitalar por se tratar de um processo estratégico desde a padronização da medicação utilizada na instituição, passando pelo armazenamento e movimentação de materiais e medicamentos médicos hospitalares até a dispensação para o paciente e o uso pelo paciente.

De acordo com SIMONETI (2007), as instituições hospitalares tem o objetivo de garantir o fluxo de entrada e saída dos materiais e medicamentos hospitalares, o que significa planejar, organizar, comprar, dispensar, enfim executar todo o processo reduzindo custos e garantindo acuracidade nos processos logísticos bem como a administração segura e racional aos pacientes da instituição.

A logística hospitalar é baseada a partir de um fluxo de processos, que pode ser basicamente definida pelo processo de recebimento do material entregue pela indústria, passando pelo almoxarifado, unitarização das doses e após o material é transferido para as farmácias central e satélite realizarem as entregas para a equipe de enfermagem. Este fluxo pode ser visto claramente na figura abaixo:

Figura 1: Fluxo de processo logístico Eurofarma Acesso em 15/02/2017 Disponível em http://slideplayer.com.br/slide/1800337/

O abastecimento de medicação na dose certa e no momento exato da aplicação garante o bom gerenciamento do insumo frente à necessidade assistencial. O foco deste trabalho é apresentar uma proposta no qual é possível realizar uma logística de dispensação com entregas a cada 2 horas baseando-se em estudos da literatura realizados em artigos científicos e livros, mas também nos conhecimentos adquiridos ao longo do curso, bem como as experiências adquiridas durante a vida profissional. O conceito Just in time foi desenvolvido no sistema Toyota de produção é perfeitamente aplicado neste contexto garantindo assim uma logística eficiente baseada na entrega ponto a ponto e on time e em consonância com o plano terapêutico definido pela equipe médica no início do tratamento. O método consiste em realizar o picking do material e medicamento baseado na prescrição médica, realizar a separação em kits por paciente bem como identificar a entrega com os dados dos materiais/paciente e realizar a entrega ao cliente em até 10 minutos antes da aplicação, garantindo a rastreabilidade a perda reduzindo eventos adversos como atraso e/ou troca de medicamentos.

Uma outra vertente que devemos abordar como chave para obtenção de resultados financeiros e de qualidade é a padronização dos materiais e medicamentos utilizados na instituição. Estudos indicam que um bom comitê de padronização pode trazer para a instituição ganhos financeiro a partir da redução de preços gerados pela concorrência entre os laboratórios.

Padronização

Atualmente os processos de padronização estão atrelados aos processos organizacionais com o intuito de facilitar a gestão operacional de uma empresa.

Segundo Burmester, (2013, p20), a padronização de materiais, medicamentos e equipamentos hospitalares é cada vez mais importante, pois traz clareza as operações e aos processos logísticos, restringindo sua utilização baseada em procedimentos e/ou protocolos estabelecidos em cada instituição. Uma macro atividade muito importante neste processo, é a introdução de um produto pela análise de custo x benefício x risco, através a ATS (avaliação em tecnologia de saúde).

A figura abaixo exemplifica a tomada de decisão baseada na metodologia ATS.

Figura 2: Tomada de decisão (BURMESTER, 2013)

Ferramentas da Qualidade

A metodologia do PDCA está sendo amplamente utilizada pela área da saúde como ferramenta de melhoria contínua tornando-se essencial para realização de pequenos projetos na busca pela qualidade assistencial e financeira. Sua utilização é realizada basicamente em etapas, conforme demonstra a Figura 2:

Figura 3. Ciclo PDCA (LÉLIS, 2012).

Verificando a figura do ciclo PDCA, identificamos que a etapa de planejamento é fundamental para que todo o processo tenha êxito, pois é neste ponto iniciamos o processo. Quando essa sistemática do Ciclo PDCA, se consolidar na empresa, a busca pela melhoria contínua ocorrerá naturalmente (LÉLIS, 2012).

Para que a ferramenta se consolide é essencial que a empresa sucesso na implementação dos 4 passos durante o projeto e que esses resultados possam ser medidos pois assim saberemos se os resultados são sustentáveis. (RICARDO, 2013).

O conceito de qualidade parte da premissa que os produtos e serviços produzidos por uma instituição devem ser realizados de acordo com as expectativas do cliente.

Nos dias atuais, e na maioria dos processos, é necessário pensar em qualidade quando abordamos um processo existente ou mesmo quando desejamos implementar um processo novo, e nesse contexto as ferramentas da qualidade são amplamente utilizadas pelas empresas pois elas nos ajudam a identificar um problema e trata-lo na causa raiz.

Existem várias ferramentas do sistema TPS que podem ser facilmente adaptados a área da saúde, pois a base desse sistema é a melhoria contínua dos processos. Segundo (LIKER, 2005, p. 53) o Sistema Toyota de Produção é:

“um sistema sofisticado de produção, em que todas as partes contribuem para o todo. O todo, em sua base, concentra-se em apoiar e estimular as pessoas para que continuamente melhorem os processos que com que trabalham.”

Atualmente existem várias ferramentas da qualidade, no entanto as mais utilizadas no setor da saúde são:

  • A3
  • Gráfico de Pareto
  • Diagrama de causa e efeito
  • Folha de verificação.

A3

O A3 pode ser tido como uma ferramenta de gerenciamento da Qualidade onde todas as variáveis referentes ao problema, as análises e ações corretivas e o plano de ação proposto pelo grupo de trabalho são escritos em uma única folha A3, facilitando assim a interação por todos os envolvidos. Normalmente utilizam-se gráficos e figuras demonstrando a situação atual e proposta, um título bem simples e de fácil entendimento para a equipe. Na metodologia A3, todo desafio que o time necessita enfrentar está registrado em um único documento, contendo o estado atual, proposta futura, pontos de controle e o acompanhamento da atividade com o plano de ação. A metodologia é simples e solução encontrada é apresentada de forma clara e objetiva a todos os envolvidos.

Gráfico de Pareto

O diagrama de Pareto é um gráfico  que ordena as informações coletadas e as coloca em colunas, organizando os dados onde a partir das frequências de ocorrência, sempre da maior para a menor, o que nos permite visualizar graficamente os problemas para que assim possamos realizar a priorização procurando levar em consideração o princípio de  Pareto , que diz que 80% dos  problemas relatados advêm de 20% das causas, isto significa que podem existir  problemas sem importância diante de outros considerados mais graves. (PARANHOS, 2007). A figura abaixo exemplifica o modelo:

Figura 4: Exemplo Gráfico Pareto Fonte: Autor

Folha de Verificação

De acordo com É uma ferramenta simples de ser utilizada no mapeamento de problemas, mas com um alto grau de importância no mapeamento e identificação dos dados, pois sua finalidade é de organizar os dados utilizando-se de quadros e tabelas, mostrando claramente a localização do problema apenas acompanhando os dados. E por fim, é importante que a lista de verificação, contenha todos os dados de identificação, como por exemplo podemos citar, processo analisado, a relação dos defeitos apresentados e/ou falha do processo através da amostragem dos dados, amostra, frequência da verificação.(GONÇALVES et. al, 2012; LELIS, 2012).

Figura 5 Folha de Verificação (LELIS, 2012).

DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO

A ferramenta Diagrama de causa e efeito consiste em analisar detalhadamente os seis M, (máquina, método, meio ambiente, mão de obra, matéria prima e medida) determinando todos os fatores que possam de alguma maneira, influenciar no processo. A utilização desta ferramenta pode identificar de forma clara e objetiva qual a causa raiz de um problema. (PARANHOS, 2007). Na figura abaixo podemos verificar esquema de Diagrama de causa e Efeito:

Figura 6.  Diagrama de causa e efeito (LÉLIS, 2012).

Ao utilizar o Diagrama de Causa e Efeito, devem-se considerar três tipos de entradas no processo. São elas:

  • Entradas Controladas;
  • Entradas Não Controladas;
  • Entradas Críticas;

Para este trabalho irá se utilizar o diagrama de causa-efeito, o A3 e a folha de verificação.

Just in Time

A terminologia Just in time é de origem da língua inglesa e significa a entrega na hora e momento certo frente à necessidade do cliente, de uma linha de produção, de um serviço ou mesmo um atendimento a um paciente. Esse conceito pode ser aplicado a qualquer processo e/ ou empresa com intuito de reduzir estoques, manter a assertividade, aumentar o giro de estoque de um produto e consequentemente reduzir os custos com estoques em processo e em excesso de uma instituição.

Criado dentro das fábricas no sistema Toyota de produção, este conceito de gerenciamento de estoques preconiza que a matéria prima e/ou material a ser utilizado pelo setor deverá chegar até o usuário no momento exato em que for necessário eliminando assim os estoques entre os processos, ou seja, o material é entregue para ser utilizado no exato momento em que o item irá entrar na produção, sob a demanda permitindo assim que os estoques sejam dimensionados para poucas horas de utilização, em pequenos lotes e na frequência desejada. (LIKER, 2005).

Desenvolvimento

A logística dentro de um contexto hospitalar é considerada um processo estratégico, pois é responsável por toda a cadeia de distribuição de materiais, medicamentos e artigos para produtos da saúde garantindo assim com que a terapêutica traçada no planejamento médico consiga realizar atingir os objetivos que é a eficácia do tratamento. Para garantir estas condições de atendimento, os hospitais necessitam de ferramentas de gestão para a administração da logística hospitalar.

Neste contexto, a logística entra como uma unidade funcional na cadeia hospitalar conforme determina a resolução RDC 15. Na figura abaixo estão representadas as unidades funcionais bem como o posicionamento da logística nesta cadeia:

Figura 7 – Diagrama das Unidades Funcionais das Instituições Hospitalares

Fonte: RDC n.° 50, Ministério da Saúde, 2002

O sistema de dispensação de materiais e medicamentos de um hospital consiste na separação, disponibilização e entrega dos insumos a disposição da equipe de enfermagem para administração no paciente. Este processo deve ser controlado através da prescrição médica e anotações de enfermagem devidamente certificadas garantindo assim o uso eficiente e eficaz do tratamento do paciente garantindo a rastreabilidade dos medicamentos reduzindo custos e aumentando a segurança para o paciente. A dispensa de medicação pode ser classificada como coletiva, individualizada, dose unitária e mista.

Neste contexto, o JIT entra como uma nova forma de administração e dispensação de materiais e medicamentos, pois possibilita a entrega do insumo para a enfermagem conforme a demanda originada da prescrição médica, na hora e no momento certo garantindo assim a rastreabilidade do produto, evitando falhas de administração, extravio de medicações, perdas no processo, entre outros eventos adversos relacionados a logística hospitalar.

Atualmente a farmácia central de um hospital é o setor responsável por atender e controlar os estoques das farmácias satélites bem como administrar o fluxo de dispensações de materiais e medicamentos para as alas de internação clínica e cirúrgica de um hospital.

Esse fato ocorre devido a similaridade dos processos farmacêuticos conforme demonstrado na figura abaixo:

Figura 8  – Atendimento da Farmácia Central

Fonte: Autor, 2017

O funcionamento da farmácia é 24 horas durante 7 dias por semana realizando as entregas para as unidades a cada 2 horas e o fluxo de atendimento de uma prescrição funciona de acordo com a figura abaixo:

Figura 9  – Fluxo de atendimento Farmácia Central

Fonte: Autor, 2017

O sistema de informática utilizado para realização do controle de estoque e dispensação de uma farmácia hospitalar pode ser adquirido pronto ou personalizado conforme a necessidade e o fluxo de processos estabelecido pelo hospital, no entanto, devem-se levar em conta os requisitos básicos de segurança do paciente. O software deve ser capaz de realizar o controle das prescrições bem como garantir que a medicação prescrita é a mesma que a farmácia enviou para ser utilizado pelo paciente.

Análise dos Resultados

Este trabalho proporcionou um melhor entendimento com relação à importância da cadeia logística no fluxo de valor para o paciente hospitalizado. Sistemas e métodos que garantem desde a disponibilização dos materiais e medicamentos até a rastreabilidade total destes insumos facilitam e controle e proporcionam segurança ao paciente.

Conclusão

Atualmente a saúde Brasil necessita cada vez mais ter um enfoque na segurança do paciente devido ao envelhecimento da população e a melhoria de processos junto com a qualidade tem sido apontada como chave fundamental na prestação de um bom serviço de saúde. Neste contexto o abastecimento de medicação na dose certa e no momento exato da aplicação evita que eventos adversos possam ocorrer durante uma internação hospitalar e/ou um simples atendimento de rotina.

Essa forma de conduzir a administração do estoque garante o bom gerenciamento do insumo frente à necessidade assistencial e a busca incessante pela otimização dos recursos e redução dos custos hospitalares. O foco deste trabalho foi de realizar um estudo de revisão bibliográfica e entender quais são os ganhos e benefícios na implementação de uma logística de dispensação com entregas a cada 2 horas.

 O conceito Just in time, é perfeitamente aplicado neste trabalho, pois garante uma forma logística eficiente baseada na entrega ponto a ponto e on time e de acordo com o plano terapêutico definido por uma equipe de médicos e farmacêuticos especialistas no início do tratamento. O método consiste em realizar a separação do material e medicamento seguindo as diretrizes traçadas na prescrição médica, realizando o processo de separação dos kits por paciente identificando o material com os dados dos materiais e do paciente.

 Desta forma é possível realizar a entrega ao cliente em até 10 minutos antes da aplicação, garantindo a rastreabilidade, e o principal que é a redução dos eventos adversos que possam ocorrer devido às falhas ocorridas no processo de dispensação de materiais e medicamentos para o paciente.

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Resolução – RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Acesso 3m 15/02/2017 Disponível em http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/resol/2002/50_02rdc.pdf

RICARDO, J. Aplicação do Ciclo PDCA para Melhoria da Qualidade (14 de Fevereiro de 2013). Acesso em 14 de Janeiro de 2017, disponível em Administradores.com: http://www.administradores.com.br/artigos/administracao-e-negocios/aplicacao-do-ciclo-pdca-para-melhoria-da-qualidade/68804/

SIMONETTI, V. M. M. Seleção de medicamentos, classificação abc e redução do nível dos estoques da farmácia hospitalar. XXVII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Foz do Iguaçu, 2007.

VALERIANO,D.L. Gerenciamento estratégico e Administração por Projetos. 1. Ed. São Paulo: Makron Books, 2001.

Autor: Pizarro, Ricardo dos Santos

Dispensários Eletrônicos de Medicamentos: Melhorias Implantadas que Impactaram na Satisfação e no Atendimento à Assistência pela Equipe Multidisciplinar

Resumo: O trabalho foi desenvolvido a partir de análise de causa raiz da insatisfação da equipe de enfermagem com os dispensários de medicamentos e implantação de melhorias que pudessem auxiliar na qualidade dos abastecimentos em um hospital privado na cidade de São Paulo. Aumentando a satisfação do cliente interno e aperfeiçoando a capacidade e o maior controle do estoque facilitando a utilização do dispensário eletrônico de medicamentos.

Palavras-chave: Dispensários de medicamentos, automação, satisfação do cliente interno.

Introdução: Dispensários eletrônicos são sistemas automatizados de dispensação de medicamentos e materiais médicos hospitalares, que permitem o controle e oferecem segurança de maneira descentralizada em instituições de saúde. A redução de erros relacionados a medicamentos garantindo maior segurança ao paciente, a rastreabilidade e a otimização do tempo são alguns dos benefícios de se automatizar e descentralizar os itens em armários informatizados (ISMP, 2019). Apesar da grande utilização e efetividade do sistema, observou-se com o levantamento da análise da causa raiz algumas oportunidades de melhoria nas atividades e gestão dos dispensários eletrônicos, dentre estes destacam-se que as solicitações constantes de urgência devido ao desabastecimento de itens, a falta de padronização e treinamento de auxiliares de farmácia na reposição dos dispensários e o alto redirecionamento de atendimento de medicamentos para a Farmácia Central em função da falta do item no dispensário. Pensando nisso, algumas medidas de gerenciamento da equipe responsável pelo abastecimento dos dispensários e inclusão de algumas ferramentas de auxílio ao atendimento e abastecimento foram estabelecidas a fim de melhorar a percepção pela equipe de enfermagem com os dispensários de medicamentos.

Objetivos

Facilitar a utilização e aumentar a satisfação da equipe de enfermagem no uso dos dispensários eletrônicos de medicamentos em um hospital privado na cidade de São Paulo.

Método

Foi utilizado o método de análise para buscas de causa raiz através da ferramenta de melhoria de qualidade dos 5 porquês e o método do 5W2H para desenvolvimento e implementação dos planos de ação. A metodologia qualitativa através de uma pesquisa de satisfação aplicada em uma equipe de enfermagem de um hospital particular na cidade de São Paulo ocorreu com coleta de dados em duas etapas: antes (2021) e depois (2022) das melhorias implementadas pela farmácia central.

Resultados

Em 2021,período anterior às melhorias aplicadas, 78 respostas atribuíram nota 3,92 aos dispensários eletrônicos. Posteriormente, em 2022, 171 respondentes atribuíram nota 8,01. Como resultado das análises às pesquisas, observou-se um aumento de 104,3% das médias das notas na pesquisa de satisfação aplicada pela equipe de enfermagem.

Foi observado que o direcionamento de atendimento de rotinas de medicamentos dispensados através dos dispensários no 1º trimestre de 2021 foi de 74,03%, enquanto que no mesmo período do ano seguinte atingiu 77,6%. No 4º trimestre de 2022, observou-se o melhor resultado, com 79,8% dos direcionamentos de atendimento de rotinas de medicamentos prescritos nas unidades de internação que saíram pelos dispensários.

Gráfico 1 Gráfico 1: Direcionamento de atendimento de rotinas de medicamentos dispensados através dos dispensários eletrônicos

Conclusões

A melhora no controle do processo de dispensários proporcionou uma maior satisfação para a equipe de enfermagem. Um maior direcionamento de atendimento de medicamentos nos dispensários garante maior segurança para o paciente e agilidade. Um maior controle de estoque e sua localização no dispensário contribui para facilitar a utilização do equipamento e com a sustentabilidade da instituição hospitalar.

Referências

INSTITUTE FOR SAFE MEDICATION PRACTICES (ISMP). Guidelines for the Safe Use of Automated Dispensing Cabinets. 2019. Disponível em: <https://www.ismp.org/resources/guidelines-safe-use-automated-dispensing-cabinets>. Acesso em: março, 2023.

Autor: SILVA, Rafaeli

Boletins Informativos de Dispensários Eletrônicos: Relato de Experiência na Redução de Retiradas por ‘override’ de Medicamentos Controlados e de Alta Vigilância

Resumo: Este trabalho relata a experiência do envio de boletins informativos sobre dispensários eletrônicos pela equipe de farmácia e o seu monitoramento da função ‘override’, ou seja, retirada pela equipe de enfermagem de medicamentos que não constam em prescrição médica, em especial da classe de medicamentos controlados e de alta vigilância.

Palavras-chave: Automação, dispensários eletrônicos, segurança do paciente

Introdução: A implementação de novas tecnologias nos processos de dispensação e administração de medicamentos vem sendo cada vez mais indicada por organizações altamente comprometidas com a segurança do paciente, e os dispensários eletrônicos, que são equipamentos informatizados que auxiliam no armazenamento e na dispensação de medicamentos e materiais médico hospitalares. É uma inclusão tecnológica na área da saúde considerada benéfica para a segurança do paciente, pois sua utilização de maneira adequada, permite um controle do estoque e a rastreabilidade dos itens retirados e administrados (ISMP, 2019). Uma das funcionalidades dos dispensários eletrônicos é a função ‘override’ ou substituição crítica que permite a retirada pelo enfermeiro de medicamentos previamente cadastrados sem prescrição médica. Alguns medicamentos da classe dos controlados e de alta vigilância podem ser habilitados nos dispensários para que a retirada em ‘override’ ocorra em casos de maior necessidade e urgência na administração onde não há tempo hábil para prescrição prévia do medicamento. Contudo, a segurança do paciente precisa estar sempre em evidência e alternativas como alocação dessas classes de medicamentos em compartimentos de maior segurança, a obrigatoriedade na contagem prévia a cegas antes da retirada do medicamento, bem como o monitoramento dessas ações são algumas das barreiras que podem ser utilizadas como estratégias para o uso seguro de medicamentos com foco na minimização de erros de medicação (CARVALHO, 2018; DELIBERAL, A.P., 2018).

Objetivos: Relatar a experiência no envio de boletins informativos referente às movimentações que ocorrem em 26 dispensários eletrônicos distribuídos em andares de internação de um hospital privado da cidade de São Paulo com capacidade média de 480 leitos. Com o intuito de auxiliar o monitoramento e redução de retiradas por ‘override’ de medicamentos controlados e de alta vigilância pela equipe de enfermagem.

Método: Obtenção de dados das retiradas na função ‘override’ para medicamentos controlados e de alta vigilância presentes em 26 dispensários eletrônicos durante os meses de julho a dezembro de 2022, através de relatório de dispensação de medicamentos emitido pelo software Pyxis Enterprise Server®. Confecção de boletins informativos aos usuários, contendo dados dos relatórios.

Resultados: A retirada de medicamentos na função ‘override’ somando a movimentação em todos os 26 dispensários eletrônicos disponíveis nas unidades de internação do hospital, em julho de 2022 era de 263 para medicamentos controlados e 176 para medicamentos de alta vigilância. Em dezembro do mesmo ano, essas retiradas correspondiam a 155 e 134 respectivamente. Nesses 6 meses de monitoramento e divulgação mensal através dos boletins informativos dos dispensários houve uma redução de 41,06% de retiradas em ‘override’ de medicamentos controlados e 23,86% para medicamentos de alta vigilância.

Gráfico 1

Conclusões

Observou-se que após o envio mensal dos boletins informativos dos dispensários eletrônicos de medicamentos, houve uma redução significativa das retiradas na função ‘override’ de medicamentos das classes dos controlados e de alta vigilância pela equipe de enfermagem. Considera-se que o uso de tecnologias e automação em farmácia hospitalar é uma importante estratégia para prevenção de erros relacionados a medicamentos e que a conscientização de retirada de medicamentos que não estejam em prescrição médica pode contribuir para que a segurança do paciente não seja comprometida.

Referências

CARVALHO, M.F. Análise da efetividade do sistema de dispensação eletrônica de medicamentos: revisão sistemática e metanálise. Rio de Janeiro, 2018.  Disponível em: <http://www.unirio.br/ppgenfbio/arquivos/teses-arquivos/59-marglory-carvalho>. Acesso em: março, 2023.

DELIBERAL, A.P. Segurança do paciente na implantação de dispensários eletrônicos: análise da função “override” e o impacto no estorno de medicamentos. Porto Alegre, 2018. Disponível em: < https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/180201>. Acesso em: março, 2023.

INSTITUTE FOR SAFE MEDICATION PRACTICES (ISMP). Guidelines for the Safe Use of Automated Dispensing Cabinets. 2019. Disponível em: <https://www.ismp.org/resources/guidelines-safe-use-automated-dispensing-cabinets>. Acesso em: março, 2023.

Autor: SILVA, Rafaeli

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