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Opuspac University

A Importância do Farmacêutico na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar no Uso Racional dos Antimicrobianos

Por: Carlos Alberto Evangelista Filho, Diego Morgado, Luciana Lima da Silva, Rosana da Silva Sousa, Vandinei Nunes e Claudinei Alves Santana.

Artigo apresentado como Conclusão de Curso ao Senac, Unidade Tiradentes, como exigência parcial para obtenção do título de “Especialista em Farmácia Clínica e Hospitalar”.

São Paulo – SP, 2021.

RESUMO

O objetivo das equipes de saúde na internação do paciente é o controle das infecções hospitalares. O farmacêutico clínico possui uma atuação importante dentro da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e no Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH), buscando a redução de eventos adversos e a otimização da terapia de antimicrobianos.

Objetivo: Elaborar uma revisão da literatura sobre a importância da atuação do profissional farmacêutico na CCIH e na prevenção da disseminação de microrganismos resistentes aos antimicrobianos, norteando para a necessidade da promoção de políticas em saúde que estimulem o uso racional.

Métodos: Foi realizada uma pesquisa mediante um levantamento de artigos nos seguintes sites de busca: Scielo, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os termos em português: Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, antimicrobianos, atuação do farmacêutico clínico hospitalar e controle de infecções hospitalares.

Resultados: A partir da metodologia adotada, foram encontrados 87 artigos. Destes, foram excluídos 48 artigos, pois não contemplavam o tema e objetivo proposto. Sendo incluídos para o presente artigo de revisão 39 artigos.

Conclusão: Faz-se necessário destacar a importância da atuação direta do profissional farmacêutico para promoção do uso racional dos medicamentos. Por sua vez, a CCIH destaca-se como uma importante ferramenta frente a esse problema. O farmacêutico e a equipe multidisciplinar desempenham medidas necessárias e pertinentes no âmbito hospitalar para conscientização e orientação, com intuito de minimizar os impactos negativos que a terapêutica inapropriada pode levar ao paciente.

Palavras-chave: CCIH, PCIH, infecções hospitalares, uso racional de antibióticos e Stewardship.

ABSTRACT

The objective of the health teams in the patient’s hospitalization is the control of hospital infections. The clinical pharmacist plays an important role in the Hospital Infection Control Commission (CCIH) and in the Hospital Infection Control Program (PCIH), seeking to reduce adverse events and optimize antimicrobial therapy.

Objective: To prepare a literature review on the importance of the role of the pharmacist in the CCIH and in preventing the spread of microorganisms resistant to antimicrobials, guiding the need to promote health policies that encourage rational use.

Methods: A search was carried out through a survey of articles in the following search sites: Scielo, PubMed and Virtual Health Library (VHL), using the terms in Portuguese: Hospital Infection Control Commission, antimicrobials, role of the hospital clinical pharmacist and control of hospital infections.

Results: From the adopted methodology, 87 articles were found. Of these, 48 articles were excluded, as they did not address the proposed theme and objective. 39 articles being included for this review article.

Conclusion: It is necessary to highlight the importance of the direct action of the pharmacist to promote the rational use of medicines. In turn, the CCIH stands out as an important tool to face this problem. The pharmacist and the multidisciplinary team perform necessary and pertinent measures in the hospital environment for awareness and guidance, in order to minimize the negative impacts that inappropriate therapy can lead to the patient.

Keywords: CCIH, PCIH, nosocomial infections, rational use of antibiotics and Stewardship.

Este artigo será submetido à avaliação da Revista da SBRAFH, publicação oficial de divulgação cientifica da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviço de Saúde

1. INTRODUÇÃO

Estima-se que em 2050, a resistência antibiótica leve cerca de 10 milhões de pessoas a óbito e a disseminação das Infecções Hospitalares (IHs) tem apresentado números alarmantes a nível mundial. Aproximadamente 1,5 milhão de pessoas são acometidas por IH anualmente, e no Brasil, 14% das internações médicas são decorrentes delas e medidas simples como o uso correto de EPI (Equipamento de Proteção Individual) e a correta higienização das mãos contribuem no controle das infecções nos serviços de saúde1,2.


Historicamente, as ações para controle das IHs devido às más condições sanitárias nos serviços de saúde no Brasil, foram evolutivas. Em 1963, um hospital em Porto Alegre (RS) criou a primeira Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) no país, por solicitação do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS). A implantação da comissão ocorreu apenas em hospitais próprios, que foi um importante marco assistencial ao paciente quanto à seguridade medicamentosa no combate a disseminação de bactérias3,4.


Posteriormente, em 1998 o Ministério da saúde revogou a portaria 930/92 e instituiu a portaria 2616/1998, onde cria-se o Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH), e entre outras providências, determina-se que o farmacêutico é o profissional que deve promover o uso racional de antimicrobianos e materiais médico-hospitalares3.


Dentre as principais atribuições do mesmo, destaca-se o desenvolvimento de ações voltadas à conscientização e a monitorização da farmacoterapia que leve a administração plausível dos medicamentos. No entanto, o correto manejo terapêutico na utilização dos antimicrobianos deve ser apropriado à condição clínica do paciente, por um período de tempo adequado, em doses adequadas às condições individuais para que haja uma utilização medicamentosa racional1,5. Segundo Aquino6, essa prática evita a intoxicação por fármacos, diminuindo não apenas complicações clínicas no quadro do paciente, como também reduzindo o tempo de tratamento e os consequentes gastos desnecessários ao hospital.

A introdução de farmacêuticos especializados na profilaxia antibacteriana em hospitais foi de grande importância, devido às prescrições inadequadas de antibacterianos, com intuito de favorecer a assistência farmacêutica ao paciente, além de destacar a importância do mesmo como profissional em saúde responsável por promover o emprego terapêutico dos fármacos, além da utilização responsiva de antibióticos, culminando na diminuição dos quadros de resistência bacteriana. Este trabalho se propõe a demonstrar a importância da atuação farmacêutica na CCIH, visando o uso racional de antimicrobianos e a redução das incidências de IHs, através da promoção de políticas em saúde estimulando o uso racional.

2. OBJETIVO

Elaborar uma revisão da literatura sobre a importância da atuação do profissional farmacêutico na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e na prevenção da disseminação de microrganismos resistentes aos antimicrobianos, norteando para a necessidade da promoção de políticas em saúde que estimulem o uso racional.

3. METODOLOGIA

Foi realizada uma busca de artigos que contemplasse o objetivo do presente trabalho nas bases de dados: Scielo, PubMed, e na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os termos em português: Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, antimicrobianos, atuação do farmacêutico clínico hospitalar e controle de infecções hospitalares; e em inglês: Hospital InfectionControl Commission, antimicrobials, role of hospital clinicalpharmacistandcontrolof hospital infections; no período de 28/08/2020 a 11/06/2021.

4. RESULTADOS

A partir da metodologia adotada, foram encontrados 87 artigos que abordaram os seguintes temas: infecção hospitalar, uso racional de medicamentos, antibioticoterapia, legislações farmacêuticas no âmbito hospitalar, atuação do farmacêutico clínico hospitalar, políticas públicas voltadas ao uso racional de medicamentos, dentre outros. Destes, foram excluídos 48 artigos, pois não contemplavam o tema e objetivo proposto. Sendo incluídos para o presente artigo de revisão 39 artigos.

5. DISCUSSÂO

Composta por uma equipe multidisciplinar, de caráter deliberativo e organizacional, de existência obrigatória nos órgãos de saúde, a CCIH funciona diretamente ligada à direção geral da instituição. O Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), órgão executivo, é encarregado das ações planejadas pela comissão, e tem basicamente como objetivo, a execução do Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH)4.


Na década de 1960 surgiram as primeiras comissões hospitalares no Brasil, dentre elas, do Hospital Ernesto Dorneles, localizado no Rio Grande do Sul, sendo o pioneiro na implantação da primeira CCIH em território brasileiro, por recomendação do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS). Apesar do feito, as ações governamentais programáticas no país tiveram início anos mais tarde7.


A primeira descrição de infecção hospitalar foi constatada em 1847, quando o médico e obstetra Ignaz Philipp Semmelweis observou uma alta mortalidade materna por febre puerperal (pós-parto), evidenciada através dos estudantes de medicina que manipulavam cadáveres, e ao mesmo tempo cuidavam de mulheres em fase terminal gestacional e puerperal, sem o cuidado com a higienização das mãos8.

Posteriormente, em meados de 1865, a enfermeira Florence Nigthingale introduziu cuidados básicos nos pacientes da clínica médica, como higiene, alimentação, divisão dos pacientes em leitos individuais, e outros cuidados, com intuito de promover a saúde e recuperação dos mesmos9.


Além desses, outros pesquisadores também desempenharam papéis fundamentais para o conhecimento acerca das IHs: Robert Koch (1876), ao atribuir as bactérias como agentes etiológicos das infecções; Billroch e Rosenbach (1883), sendo os primeiros a identificarem os estreptococos em supurações; e Von Bergman e Shimmelbush (1885), introduzindo a autoclavação no preparo de materiais cirúrgicos10.


Os fatos ocorridos, serviram como incentivo à criação de políticas de prevenção e controle de infecções comunitárias e hospitalares, além de ser uma ferramenta no controle de qualidade em saúde9,11. As IHs são tão antigas quanto o surgimento dos hospitais. Ainda na década de 1980, o aumento substancial das infecções passou a ser pauta das autoridades sanitárias. Na época, o Ministério da Saúde (MS) implementou um programa de treinamento de capacitação para 14 mil profissionais, o qual foi descontinuado posteriormente7.


Por meio da Portaria 196 de 24 de Junho de 1983, o MS determinou que, independentemente da natureza da entidade mantenedora, todos os hospitais brasileiros deveriam manter uma CCIH3,12. As ações governamentais foram mais pontuais, após o episódio da morte do recém-eleito presidente Tancredo de Almeida Neves, relacionada a uma infecção cirúrgica em 1985. Em 1987 foi instituído o Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar (PNCIH) pela portaria n°232 do MS, e transformado em Divisão de Controle de Infecção Hospitalar (DCIH) em 1990 pela portaria n°66613.


A CCIH e o PCIH têm como objetivo proporcionar melhores resultados para os pacientes, como a estabilização da resistência microbiana e diminuição dos custos com os tratamentos. Busca ainda a cura de infecções, a redução da mortalidade decorrente delas, assim como seu monitoramento e controle das IHs a partir das CCIH e dos comitês de investigação de óbitos hospitalares, dos quais cooperam para a qualidade da assistência hospitalar14.


Baseados na Portaria nº 2.616/1998, do Ministério da Saúde, há alguns critérios que ajudam na definição de uma IH, como: pacientes de outros hospitais que já se internam com infecção (inclusive recém – nascidos); quando não houver conhecimento do período de incubação do microrganismo; não havendo evidência clínica; ou ainda, quando o paciente provém de um hospital (já internado com infecção) é diagnosticado pelo hospital de origem como portador de IH. Entretanto, se o mesmo for transferido para outro hospital, neste, será considerado como portador de infecçãocomunitária (IC)13.

5.1 Infecção hospitalar e infecção comunitária

Para a realização de cuidados em saúde, o indivíduo se submete a um risco inevitável de hospitalização. Em consequência disso, a exposição nesses ambientes torna-o suscetível à inoculação de microrganismos presentes, levando a um agravamento na saúde do mesmo. As infecções são caracterizadas de acordo com o perfil de resistência antimicrobiana e epidemiológico, classificando-se naquelas adquiridas na comunidade ou nosocomiais15,16.


A IH, também denominada como nosocomial, tem por definição uma síndrome infecciosa adquirida após internação ou procedimento ambulatorial, podendo manifestar-se após alta hospitalar, além de se relacionar a procedimentos realizados durante a internação e/ou tratamento12,17. Constituindo um grave problema de saúde mundial, os distúrbios infecciosos advindos das IHs desafiam constantemente o sistema de saúde, acarretando no aumento da mortalidade e da morbidade entre os pacientes, além de elevar os custos hospitalares18.


Podem ser desencadeadas após a internação do paciente, acarretando em um prolongamento de sua permanência no hospital, além de causar maiores danos à saúde do mesmo, como problemas relacionados à morbidade e à mortalidade. Sendo assim, quanto maior sua permanência no hospital maiores os riscos de IH. Dentre as infecções hospitalares comumente observadas, podemos destacar pneumonias, infecções de pele, infecções urinárias e infecções de corrente sanguínea. Alguns dos principais agentes etiológicos que ocasionam essas infecções são Staphilococcus aureus, Pseudomas aeruginosa, Klebsiellapneumoiae e Escherichia coli19. Além disso, o uso de antibióticos altera a microbiota do paciente e associados a procedimentos invasivos, desequilibram os mecanismos de defesa do hospedeiro, agravando seu quadro clínico12.


Por outro lado, de acordo com a portaria Nº 2.616 de 1998, as Infecções Comunitárias (ICs) são denominadas como aquelas em que não há relação com uma internação anterior no mesmo hospital, além de ser constatada em incubação no ato da admissão do paciente. Os tipos de infecções comunitárias observados com maior frequência são infecções respiratórias e infecções do trato urinário. Dentre as infecções respiratórias estão: infecções respiratórias agudas (IRA) na maioria das vezes, causadas por vírus sincicial respiratório (VSR), o rinovírus humano (HRV), apresentando variação para coronavírus humano (HCoV), bocavírus humano (HBoV), adenovírus (ADV), vírus influenza tipo A e B (FLU A/B), vírus parainfluenza (PIV) e metapneumovírus humano (HMPV). A infecção do trato urinário (ITU) é responsável por dores e sintomas irritantes. As ITUs afetam em sua maioria mulheres, e seus principais agentes causadores são: Escherichia coli, Staphylococcus saprophyticus, Staphylococcus aureus. Também são caracterizadas em recém-nascidos, quando a obtenção por via transplacentária é conhecida ou foi comprovada, tornando-se evidente logo após o nascimento, como em casos de toxoplasmose, sífilis, AIDS, etc20,21.


Diante disso, fatores sócio-ambientais como grau de instrução, saneamento básico, condições de habitação precárias, também relacionam-se com o desenvolvimento de infecções, principalmente aquelas adquiridas em ambiente domiciliar22.

5.2 Legislações que cercam o âmbito hospitalar

As legislações que cercam a atuação multiprofissional no âmbito hospitalar, são direcionadas ao melhor manejo terapêutico com o intuito da prevenção, proteção e que garanta a segurança do paciente. Direcionadas a atuação farmacêutica, elas norteiam e instruem o farmacêutico para que através dos seus conhecimentos adquiridos e embasados na farmacoterapia, o mesmo possa intervir, quando necessário, na prevenção de agravos em saúde do paciente quanto ao uso de medicamentos. Frente a isso, a Resolução 585/2013 do Conselho Federal de Farmácia regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico, dentre estas atribuições, podemos destacar: o cuidado ao paciente, através do desenvolvimento de ações para a promoção, proteção e recuperação da saúde, prevenção de doenças e outros problemas de saúde; planejar e avaliar a farmacoterapia; analisar as prescrições, através da realização de intervenções farmacêuticas a partir da discussão dos casos clínicos em conjunto com a equipe multidisciplinar; realizar a anamnese farmacêutica, verificando sinais e sintomas; solicitar e acompanhar exames laboratoriais, interpretando os resultados de exames clínico-laboratoriais; realizar e registrar as intervenções farmacêuticas junto ao paciente, família e cuidadores; acompanhar e instruir a administração adequada de medicamentos ao paciente; fazer a evolução farmacêutica e registrar no prontuário do paciente; realizar a conciliação medicamentosa do paciente; prescrever, conforme legislação específica; avaliar e acompanhar a adesão dos pacientes ao tratamento, entre outros23.


Outra portaria que fortalece e norteia a atuação farmacêutica é a 4.283/ 2010, do Ministério da Saúde, que aprova as diretrizes e estratégias para organização, fortalecimento e aprimoramento das ações e serviços de farmácia no âmbito dos hospitais. Ela foi criada a fim de visar o gerenciamento adequado e o uso correto de medicamentos, evitando o aumento da morbimortalidade, elevação dos custos e prejuízos à segurança e à qualidade de vida, visando também à otimização dos resultados clínicos e econômicos24.


A resolução nº 492/2008, do Conselho Federal de Farmácia, regulamenta o exercício profissional nos serviços de atendimento pré- hospitalar, na farmácia hospitalar e em outros serviços de saúde, de natureza pública ou privada. Diz respeito ao conjunto de ações de resgate que objetiva atendimento às urgências e emergências por meio de serviços móveis ‘e por farmácia hospitalar e outros serviços de Saúde’ a unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida por farmacêutico, ligada hierarquicamente à direção do hospital ou serviço de saúde. Algumas atribuições do farmacêutico nos serviços de atendimento pré hospitalar, na farmácia hospitalar e em outros serviços de saúde são: gestão, desenvolvimento de infra-estrutura, distribuição, controle e distribuição de medicamentos para a saúde, otimização da terapia medicamentosa, informação sobre medicamentos e produtos para a saúde25.


No que diz respeito às principais legislações relacionadas à prevenção e controle das Infecções de Assistência à Saúde (IRAS), fundamentam-se na Lei nº 9.431/97, onde obriga os hospitais a constituírem uma CCIH. A resolução nº 300/97 do Conselho Federal de Farmácia (CFF), regulamenta sobre a necessidade da participação do farmacêutico na CCIH, além de exercer suas funções que lhe competem. A Portaria nº 2.616/98, do Ministério da Saúde, cria o Programa de Controle de Infecções Relacionadas à Saúde (PCIRAS) e estipula normas e diretrizes de prevenção e controle das IHs e a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 48/2000 proposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária avalia o cumprimento das ações do PCIRAS. Com base nessas legislações, cabe ao farmacêutico o desenvolvimento de ações e serviços que visem o controle e a correta administração medicamentosa, assim como no manejo terapêutico quanto ao uso indevido de antimicrobianos13,18,26,27.

5.3 Medidas de prevenção das Infecções Relacionadas à Assistência em Saúde (IRAS)

A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar possui algumas atribuições como, a vigilância epidemiológica das infecções, revisão das práticas assistenciais, precauções para evitar disseminação de doenças transmissíveis, entre várias outras medidas a fim de minimizar a ocorrência de infecções relacionadas à assistência à Saúde (IRAS). Existem fatores considerados extrínsecos para desencadeamento das IRAS, tais como: higienização das mãos, realização adequada de procedimentos invasivos, utilização da técnica correta, o uso de EPIs, entre outros. Cita -se a correta higienização das mãos, como a prática mais efetiva na redução das infecções, pois impede a transmissão cruzada de microrganismos28.


A adesão das práticas profiláticas é alta, uma vez que além de ser uma prática profissional, é principalmente um ato de alta segurança pessoal. Outra medida de prevenção importante é o cuidado com a contaminação das vias aéreas, mantendo-se a cânula de intubação traqueal estéril e realizando-se a troca do filtro do sistema de ventilação entre os pacientes. A limpeza das ampolas, feitas com álcool estéril, também é extremamente importante, o que evita o risco de contaminação. A troca de seringas após a administração de fármacos via subcutânea, intramuscular ou intravenosa também é de extrema necessidade, evitando contaminação com material biológico de outros pacientes29.

A elaboração de um Procedimento de Operação Padrão (POP) e de um questionário contendo os métodos de prevenção de infecção hospitalar também é muito importante. Isso possibilita o profissional a recorrer ao documento, tendo um protocolo diário de higiene, ajudando a lembrar de cada etapa de higienização pessoal, dos equipamentos e de todo o ambiente, a fim de evitar contaminações desnecessárias ou altamente fáceis de prevenir, o que aumenta a segurança pessoal, do paciente e de toda a equipe multidisciplinar ligada ao funcionário em questão30.

5.4 Uso racional de antibióticos

O controle das infecções relacionadas à assistência à saúde é uma atividade considerada multidisciplinar, porém, cabe à farmácia das instituições de saúde gerir e assistir a comunidade hospitalar no que se refere aos medicamentos, materiais médicos hospitalares e demais insumos para a saúde. O acesso racional e a monitorização do uso dos antimicrobianos, germicidas e saneantes dentro dos setores hospitalares são garantidos através do serviço de farmácia hospitalar31,32.


Algumas ações devem ser realizadas para o uso racional de antibióticos a realização de exames de identificação de microrganismos e da susceptibilidade dos antibióticos para a escolha do melhor fármaco, a padronização de antibióticos incluindo a análise evolutiva de cada microrganismo na instituição, além de sugestões para a antibioticoterapia empírica nas situações mais comuns, incentivar o conhecimento sobre o volume e o custo X benefício de antimicrobianos33.


A antibioticoterapia deve ser realizada de forma racional, uma vez que seu uso equivocado e indiscriminado pode levar a vários problemas, sendo o mais severo o aumento da resistência bacteriana podendo levar à morte. A prevalência de pacientes de UTI que recebem os antibióticos de forma incorreta gira em torno de 50%, aumentando o tempo de hospitalização e a taxa de mortalidade. Alguns aspectos que merecem atenção, pois incidem em erros são: tempo de tratamento exagerado, indicação equivocada da dose ou do antibiótico propriamente dito e a prescrição do medicamento sem haver uma quantidade aceitável mínima de evidências científicas. O aumento de creatinina em exames coletados também foi observado no uso de antibióticos34.

5.5 Papel do Farmacêutico clínico no CCIH: Programa Stewardship de antimicrobianos

O farmacêutico apresenta um papel crucial junto à equipe multiprofissional no que diz respeito à prevenção de infecções hospitalares. Uma indicação inadequada, atrelada a escolha do melhor fármaco e a posologia, elevam os riscos quanto à toxicidade ao paciente, efeitos adversos e o desenvolvimento de cepas resistentes aos antimicrobianos, aumentando os índices de mortalidade. Pensando nisso, foi implementado nos hospitais um programa de manejo e controle antimicrobiano, conhecido como Stewardship. Ele foi definido em 2001 por Dale Gerding através de ações sinérgicas resultantes do esforço interdisciplinar na utilização otimizada dos antimicrobianos através de estratégias pré-estabelecidas35.


O Programa Stewardship é subdividido em 4 fases, onde: na fase 1 (preparatória) o programa foi preparado por uma equipe multidisciplinar a fim de questionar sobre o uso excessivo de antibióticos e otimizar o tratamento medicamentoso, a fim de evitar usos exagerados e indiscriminados dessa classe terapêutica. Na fase 2 (planejamento do projeto) foram mapeadas áreas com possível atuação, planejando-se ações sobre o uso racional dos medicamentos a partir da criação do uso de um formulário para definir as principais medidas do uso do Stewardship. Na fase 3 (otimização do cuidado clínico) foram implantadas medidas como por exemplo protocolos que foram criados para infecções usuais e indicadores para avaliar o desempenho do hospital. Na fase 4 (aprimoramento do Stewardship), ocorreu a realização de novas avaliações a fim de que fossem trabalhados os aspectos principais do Stewardship36.


A execução de programas que visem o manejo racional de antimicrobianos é objetivo importante do ‘NationalPlan for Combating Antibiotic Resistant Bacteria’, além de ser um padrão de aceitação exigido pelo The Joint Commission35,37.


O papel do farmacêutico clínico na CCIH é atuar nas diversas etapas da infecção hospitalar, diminuição da transmissão das infecções, promoção do uso racional de antimicrobianos, treinamentos e orientações para pacientes e profissionais da saúde. O profissional necessita de um embasamento científico, conhecendo todo o mecanismo responsável pela infecção a fim de que possa intervir de forma preventiva e diminuir o quadro clínico dos pacientes, além de orientar a equipe multiprofissional38.


Contudo, a resistência bacteriana que o uso inadequado de antimicrobianos provoca, possui um custo elevado, porém são evitáveis. A otimização da terapia antimicrobiana provoca impactos positivos na redução dos custos financeiros, traz benefícios à logística hospitalar, reduz o tempo de hospitalização e aumenta a rotatividade de leitos e UTIs, diminuindo assim a superlotação no ambiente hospitalar. O Brasil, considerado como país de renda média, foi responsável por um aumento de três quartos do aumento global no consumo mundial de antibióticos na última década. Porém há poucos estudos que examinaram estratégias que melhorem a otimização do consumo desses medicamentos no país39.

6. CONCLUSÃO

Visto a complexidade do uso irracional de antibióticos, faz-se necessário destacar a importância da atuação direta do profissional farmacêutico para promoção do uso racional desses medicamentos. Por sua vez, a CCIH destaca-se como uma importante ferramenta frente a esse problema. Através dessa comissão, o farmacêutico junto a outros profissionais de saúde desempenham medidas necessárias e pertinentes no âmbito hospitalar para conscientização e orientação, com intuito de minimizar os impactos negativos que a terapêutica inapropriada pode levar ao paciente.
Frente a isso, a realização de estratégias como: padronização de antimicrobianos, as legislações vigentes que controlam, regulamentam e norteiam o fluxo no ambiente hospitalar, o controle na sua dispensação, monitoramento das prescrições e educação continuada aos profissionais, contribuem diretamente para minimização da resistência bacteriana. Contudo, a problemática deve ser enfrentada com seriedade, já que a estimativa para 2050 é que a resistência antibiótica leve cerca de 10 milhões de pessoas a óbito, e isso tem sido considerado um dos maiores problemas de saúde pública mundial.

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Unitarização de Medicamentos para Neonatologia em uma Maternidade Pública da Bahia: Uma Análise Farmacoeconômica

Por: Aryane Katiuscia de Macedo Pereira, Julianna Bonfim Antas Loureiro, Danielle Stefane Pinto da Silva, Vanessa Matos Fernandes, Emylle Cardoso Dias da Cruz, Pedro Augusto Silva dos Santos Rodrigues, Pedro Paulo Silva de Assis Júnior, Lara Souza Neiva, Renê Silva Santos, Leticia Gagliano De Santana, Daniele Oliver De Carvalho Franca.

RESUMO

A utilização de medicamentos na neonatologia apresenta desafios devido às características fisiológicas distintas desse grupo, resultando em administrações “off-label” e potenciais riscos relacionados à ausência de apresentações testadas para essa população. Sendo assim, a prática da unitarização de doses em unidades hospitalares torna-se uma abordagem efetiva proporcionando maior segurança, otimizando o tratamento e gerando impactos positivos do ponto de vista farmacoeconômico. O envolvimento do farmacêutico nesse processo, contribui para garantir doses adequadas conforme prescrição médica, impactando positivamente no prognóstico dos pacientes neonatos. Este artigo tem como objetivo comparar os custos entre a dispensação individualizada e unitarizada a partir da manipulação da Anfotericina B Lipossomal e Tigeciclina, no período entre setembro de 2022 a junho de 2023. Foi realizado um estudo observacional, retrospectivo, de caráter quantitativo, com amostra de 71 pacientes. Após análise de 240 ciclos de manipulação, evidenciou-se uma economia equivalente ao total de R$ 1.125.745,64 durante o período analisado.

Palavras-chave: Dose unitária, Neonatologia, Farmacêutico.

Unitarization of Medications for Neonatology in a Public Maternity Hospital in Bahia: A Pharmacoeconomic Analysis

By: Aryane Katiuscia de Macedo Pereira, Julianna Bonfim Antas Loureiro, Danielle Stefane Pinto da Silva, Vanessa Matos Fernandes, Emylle Cardoso Dias da Cruz, Pedro Augusto Silva dos Santos Rodrigues, Pedro Paulo Silva de Assis Júnior, Lara Souza Neiva, Renê Silva Santos, Leticia Gagliano De Santana, Daniele Oliver De Carvalho Franca.

ABSTRACT

The use of medications in neonatology presents challenges due to the distinct physiological characteristics of this group, resulting in “off-label” administrations and potential risks related to the lack of tested presentations for this population. Therefore, the practice of unitizing doses in hospital units becomes an effective approach, providing greater safety, optimizing treatment and generating positive impacts from a pharmacoeconomic point of view. The involvement of the pharmacist in this process helps to ensure adequate doses according to medical prescription, positively impacting the prognosis of neonatal patients. This article aims to compare the costs between individualized and unitary dispensing based on the manipulation of Liposomal Amphotericin B and Tigecycline, in the period between September 2022 and June 2023. An observational, retrospective, quantitative study was carried out, with a sample of 71 patients. After analyzing 240 handling cycles, savings equivalent to a total of R$1,125,745.64 during the analyzed period were evident.

Keywords: Unit dose, Neonatology, Pharmaceutical.

INTRODUÇÃO

A utilização de medicamentos na neonatologia apresenta desafios devido às características fisiológicas distintas desse grupo, resultando em administrações “off-label” e potenciais riscos relacionados a ausência de apresentações testadas para essa população. Somado a esses fatores e características, os erros de medições apresentam-se como um problema que diretamente na segurança e eficacia do tratamento, além de gerar gastos exorbitantes ao serviço de saúde devido ao prolongamento do tempo de internação dos pacientes.

Estima-se que os erros de medicação custam anualmente US$ 42 bilhões (cerca de R$ 201,7 bilhões em 2023) além do fato de os eventos adversos evitáveis poderem chegar a representar cerca de 50% do custo anual com eventos adversos a medicamentos (EAM) (WHO, 2017; Bates et al., 1997).Dentre as causas de erros de medicação que mais acometem os pacientes no ambiente hospitalar são o preparo e a administração incorreta de medicamentos, interferindo diretamente na assistência ao paciente e na sua segurança (Galiza et al., 2014).

Visando reduzir esses erros, no Sistema de Distribuição de Medicamentos por dose Unitária (SDMDU) os medicamentos são dispensados já prontos para serem administrados, nas doses e formas farmacêuticas adequadas para cada paciente e conforme prescrição (Teles et al, 2020). Nesse sistema há um maior envolvimento do profissional farmacêutico, tornando-se mais uma barreira efetiva para possíveis erros de medicação, visto que o mesmo é responsável pela avaliação da prescrição e manipulação do medicamento em um ambiente controlado.

Diante dos dados apresentados e a fim de demostrar a importância da unitarização das doses de medicamentos na segurança do paciente e na diminuição de gastos financeiros, este artigo tem como objetivo comparar os custos entre a dispensação individualizada e unitarizada a partir da manipulação da Anfotericina B Lipossomal e Tigeciclina, no período entre setembro de 2022 a junho de 2023 em uma maternidade do estado da Bahia.

REFERENCIAL TEÓRICO

1. Uso Off-label da Tigeciclina e Anfotericina B Lipossomal na Neonatologia

Diariamente em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) os recém-nascidos utilizam diversos medicamentos endovenosos, os quais em grande parte prescritos de forma off-label. Define-se como uso off-label de medicamentos a utilização de medicamentos prescritos de forma diferente da orientada em bula em relação a faixa etária, à dose, à frequência, à apresentação, à via de administração (ARONSON, FERNER, 2017).

A gravidade dos neonatos, associado a complexidade do tratamento dos mesmos devido as suas características fisiológicas distintas e a falta de estudos nessa população são algumas das justificativas para o uso de medicamentos de forma off-label, tendo como exemplo a Tigeciclina e Anfotericina B Lipossomal.

A Tigeciclina é um antibiótico da classe das glicilciclinas, indicado para o tratamento de Infecções de pele e partes moles complicadas, Infecções intra-abdominais e Pneumonia. Utilizado na Neonatologia com uma dose de ataque de 1,5 mg/kg, seguido de doses de manutenção de 1 mg/kg/dose 12/12 h entre 7 e 14dias de tratamento (TAKETOMO et al., 2020).

Já a Anfotericina B Lipossomal um antifúngico usado para tratar infecções graves causadas por fungos, a mesma pode é fungistática (reduz a taxa de crescimento de fungos) ou fungicida (mata fungos) dependendo de sua concentração nos fluidos corporais e da suscetibilidade do fungo ao medicamento. A dose na Neonatologia usualmente varia de 3 a 5 mg/kg/dia (TAKETOMO et al., 2020).

2. Sistema de dispensação: a importância da dose unitarizada e o papel do farmacêutico neste processo

No tratamento de doenças no ambiente hospitalar, os medicamentos e a forma de dispensação dos mesmos é de extrema importância sendo de responsabilidade da farmácia, a qual tem a função de estabelecer o sistema de distribuição a ser utilizado. (CARVALHO, 2017). De acordo com Abramovicius et al. (2011), utilizar o sistema de dispensação ideal para atender os pacientes nas unidades hospitalares é peça chave para a redução de custos e melhorar a assistência à saúde do paciente em todo ciclo medicamentoso hospitalar garantindo a segurança de todo o processo.

São três métodos que podem ser utilizados: o método coletivo, onde a dispensação é realizada por unidade hospitalar, levando a formação de estoques nas unidades (MACHADO, 2015). O segundo método é o individualizado, onde a dispensação é feita por paciente e não por unidade, ocorrendo por turno, neste método os medicamentos são dispensados de forma fracionada, sendo os mesmos preparados pela equipe de enfermagem. Já o terceiro método é o sistema de distribuição de medicamentos por dose unitarizada, que funciona através da distribuição dos medicamentos por paciente, para 24 horas, podendo também ser feito por turnos. Neste método os medicamentos são preparados pelo farmacêutico, o qual faz uma análise das prescrições conferindo: dose, via de administração, interações medicamentosas, cálculos de diluição, e caso sejam identificados erros o mesmo entra em contato com o prescritor para que as alterações sejam realizadas antes da preparação e administração dos medicamentos evitando desta forma que o erro chegue até o paciente (SOUSA, MENDES, 2014).

3. Os impactos econômicos da unitarização dos medicamentos

De acordo com a Organização PanAmericana da Saúde (2016) a dispensação de medicamentos deve ser organizada de forma a reduzir os gastos e erros de medicação garantindo a segurança do paciente.

Estudos anteriores sobre o Sistema de Distribuição de Medicamentos em Dose Unitária (SDMDU) evidenciaram que esse tipo de distribuição resulta em uma economia nos gastos finais com medicamentos por paciente, quando comparado aos demais métodos de dispensação. Segundo Silva Souza e colaboradores, há clara vantagem econômica na implementação do SDMDU, especialmente quando considerados os dados em longo prazo. Esse sistema possui outros fatores positivos como a redução do estoque nas unidades assistenciais e perdas relacionadas a desvios; prazo de validade e falta de identificação; além de levar otimização das devoluções à farmácia (JARA,2012; ANACLETO, PERINI, ROSA E CÉSAR,2005 apud WAYHS, SILVA,2022).

METODOLOGIA

Desenho do estudo
Para avaliação do impacto da unitarização realizada por farmacêuticos na dinâmica do uso de antimicrobianos de amplo espectro foi realizado um estudo observacional, retrospectivo, de caráter quantitativo, visando comparar a eficiência desse processo com o padrão de utilização sem a manipulação dos medicamentos realizada pelo profissional farmacêutico.

População do estudo

A população avaliada foi composta por neonatos internados em unidades de terapia intensiva de uma Maternidade do estado da Bahia que atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), acometidos por infecções etiologicamente relacionadas a microrganismos multirresistentes. Foram incluídos todos os pacientes que utilizaram Anfotericina B Lipossomal ou Tigeciclina durante o intervalo de avaliação de coleta de dados (entre setembro de 2022 e junho de 2023).

Coleta de dados e variáveis do estudo

Os dados primários foram gerados a partir dos registros das unitarizações feitas pelos farmacêuticos do serviço enquanto dados secundários foram obtidos dos prontuários dos pacientes bem como do software de gestão de estoque, MV Soul, utilizado na unidade. O consumo de frascos ampola de Anfotericina B Lipossomal e Tigeciclina dispensados no período da pesquisa e o custo total a ele associado foram as variáveis principais do estudo. Para a avaliação do consumo e do custo também foram consideradas as orientações dos respectivos fabricantes, de bases de dados como o Micromedex e Up To Date, e do livro Pediatric & Neonatal Dosage Handbook elaborado pela American Pharmacists Association (TAKETOMO et al., 2020).

Na avaliação do Ambisome® (Anfotericina B Lipossomal, Gilead Sciences) foi considerada uma estabilidade de 24 horas sob refrigeração (2 a 8 ºC) após reconstituição com água destilada e 6 horas após diluição com solução de Dextrose a 5%, ambos em ambiente não controlado. Nos casos de unitarização realizada em ambiente asséptico e controlado (unitarização pelo farmacêutico) a estabilidade foi estimada como superior a 24 horas (não há especificação do fabricante quanto ao tempo limite) sob refrigeração ou 24 horas a 25 ± 2 °C expostos à luz ambiente, sendo optado pelo armazenamento do frasco sob refrigeração e definida a estabilidade por até 48 horas.

Quanto ao Tygacil® (Tigeciclina, Pfizer Brasil Ltda), a estabilidade após reconstituição com solução de Cloreto de Sódio a 0,9% foi definida como 6 horas e, após diluição, também com solução de Cloreto de Sódio a 0,9%, 24 horas, ambas em temperatura não superior a 25°C. Quando armazenada sob refrigeração a estabilidade foi estabelecida como 48 horas após diluição.

Foram considerados a forma de uso padrão prescrita (5 mg/kg de Anfotericina B Lipossomal endovenosa a cada 24 horas e 1,0 – 1,5 mg/kg de Tigeciclina endovenosa a cada 12 horas), o armazenamento do medicamento na unidade de internação feito a partir dos frascos reconstituídos, dispensação individualizada (1º cenário) e das seringas manipuladas, doses unitarizadas (2º cenário). Foi definida como não significativa qualquer variação nos custos com consumo de energia elétrica e água ou depreciação dos equipamentos e utensílios, bem como os demais materiais utilizados no preparo dos medicamentos, tendo em vista o baixo custo destes, frente aos medicamentos em questão.

O custo total real para implantação e manutenção da Central de Unitarização de Doses (CUD) não pôde ser avaliado em virtude de a mesma já estar implantada antes do período da pesquisa e não haver dados retrospectivos acessíveis referentes a esses custos. Em virtude disso, uma estimativa do custo da implantação e manutenção foi realizada tomando como base a Resolução da Diretoria Colegiada nº67/2007 e os valores apresentados no estudo brasileiro de Pereira e colaboradores (2006), corrigidos conforme Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a julho de 2023.

Os dados de consumo e custo foram comparados entre um contexto onde todas as doses foram manipuladas pelos farmacêuticos em um ambiente controlado, e a dispensação individualizada, onde nenhuma das doses foram manipuladas pelos farmacêuticos, sendo todas preparadas pela equipe de enfermagem nas respectivas unidades de internação. A elaboração do banco de dados e a análise estatística foram feitas mediante o uso do software Microsoft Office Excel 2013.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Perfil da população de estudo
Durante o período em questão um total 71 neonatos foram incluídos por estarem em uso de, pelo menos, um dos medicamentos avaliados. Os pacientes foram majoritariamente do sexo masculino, apresentando em sua maioria, Idade Gestacional (IG) 24 a 30 semanas. Um total de 59 pacientes utilizaram a Anfotericina B Lipossomal enquanto 12 pacientes utilizaram Tigeciclina. A média de duração de tratamento com a Anfotericina B Lipossomal foi de 12 dias, enquanto a Tigeciclina 7 dias.

Imagem 1 – Perfil da população de estudo estratificada por medicamento – Anfotericina B Lipossomal (n º de amostras = 59).

Fonte: Dados da pesquisa, 2023.

Imagem 2 – Perfil da população de estudo estratificada por medicamento – Tigeciclina (nº de amostras = 12):

Descrição da imagem

Fonte: Dados da pesquisa, 2023..

Descrição da imagem

Análise comparativa de custos com a dispensação

No período do estudo, foram realizados aproximadamente 240 ciclos de unitarização, considerando a rotina de manipulação pré-definida onde todas as unitarizações do dia são realizadas em um único ciclo. O total de doses preparadas foi de 876 doses, sendo 719 de Anfotericina B Lipossomal e 157 de Tigeciclina. Das doses de Anfotericina B Lipossomal preparadas, 667 foram administradas (92,8 %) e 52 (7,2%) foram desprezadas, por motivo de suspensão do medicamento ou óbito. Já para a Tigeciclina, 137 foram administradas (87,3%) e desprezadas 20 doses (12,7 %).

Após a avaliação do uso dos medicamentos em questão conforme o SDMDU já implantado foi identificado um consumo total de 185 frascos ampola de Anfotericina B Lipossomal (custo total: R$ 385.836,00) e 51 de Tigeciclina (custo total: R$ 5.790,51), tomando como referência o custo médio dos respectivos produtos durante o período avaliado.

Avaliando o 1º cenário, onde a manipulação seria realizada pela equipe de enfermagem, os frascos seriam armazenados em sua forma reconstituída sob refrigeração, tanto para a Anfotericina B Lipossomal quanto para a Tigeciclina. Dessa forma, seria necessário a abertura de uma unidade do medicamento para cada dose, visto que não é recomendado o compartilhamento de frascos entre pacientes nas unidades de internação, com a finalidade de evitar contaminação cruzada e assegurar a rastreabilidade, o que levaria a um consumo de 719 frascos (custo total: R$ 1.499.546,40) e 157 (custo total: R$17.825,78), respectivamente.

Para o 2º cenário, onde a manipulação é realizada pelo farmacêutico (SDMDU), é necessário a abertura de, apenas, 1 frasco ampola para o preparo de uma bolsa de Anfotericina B Lipossomal com um volume total de 50mL e concentração de 1mg/mL (concentração máxima). Considerando o perfil dos pacientes assistidos, é possível o preparo de em média 4 doses subsequentes, levando em consideração o peso e a dose usual de 5mg/kg. Em relação a Tigeciclina, é necessário a abertura de, apenas, 1 frasco ampola para o preparo de uma bolsa com um volume total de 100mL e concentração de 0,5mg/mL (concentração máxima). Considerando o perfil dos pacientes assistidos, é possível o preparo 4 doses subsequentes, levando em consideração o peso e a dose usual de 1 a 1,5mg/kg.

Comparando a dispensação individualizada (cenário 1) com o SDMDU (cenário 2), conforme Tabela 3, é possível verificar uma economia de 74,2% (R$ 1.113.710,40) de Anfotericina B Lipossomal e 67,5% (R$ 12.035,24) de Tigeciclina.

Tabela 1 – Avaliação comparativa dos custos com a dispensação de Anfotericina B Lipossomal e Tigeciclina entre o modelo de dispensação individualizada e SDMDU (Cenário 1).

Cenário 1Anfotericina B Lipossomal
(Valor Médio Unitário R$2.085,60)
Tigeciclina
(Valor Médio Unitário R$113,54)
Consumo total719157
Consumo médio mensal9020
R$ médio mensalR$187.704,00R$2.270,80
Custo totalR$1.499.564,40R$17.825,78

Fonte: Dados da pesquisa, 2023.

Tabela 2 – Avaliação comparativa dos custos com a dispensação de Anfotericina B Lipossomal e Tigeciclina entre o modelo de dispensação individualizada e SDMDU (Cenário 2).

Cenário 2Anfotericina B Lipossomal
(Valor Médio Unitário R$2.085,60)
Tigeciclina
(Valor Médio Unitário R$113,54)
Consumo total18551
Consumo médio mensal236
R$ médio mensalR$47.968,8R$681,24
Custo totalR$385.836,00R$5.790,51

Fonte: Dados da pesquisa, 2023.

Tabela 3 – Análise geral de Redução de Custo a partir do Cenário 2.

Análise de CustoAnfotericina B Lipossomal
(Valor Médio Unitário R$2.085,60)
Tigeciclina
(Valor Médio Unitário R$113,54)
Redução de Custo (R$):
Cenário 2 – SDMDU
R$1.113.710,40R$12.035,24
Redução de Custo (%):74,2%67,5%

Fonte: Dados da pesquisa, 2023.

Análise comparativa do custo total

Na avaliação do custo total, levando-se em consideração os custos de implantação e manutenção de uma CUD, foi calculado um valor total investido de cerca de R$ 237.047,15, considerando valores do estudo de Pereira e colaboradores (2006) ajustados segundo o IPCA de junho de 2023. Considerando o melhor contexto comparativo (SDMDU), cuja economia é de, aproximadamente, R$ 140.718,20 mensais, o valor investido inicialmente seria recuperado em, aproximadamente, 50 dias.

Em uma situação onde se faz necessária a contratação de profissionais farmacêuticos específicos para o serviço, um custo mensal referente à remuneração básica da equipe é adicionado. Considerando a demanda média diária de 4 unitarizações, uma contratação de 2 farmacêuticos numa escala de 20 horas semanais e trabalhando em revezamento seria suficiente. O valor dos salários-base iniciais para farmacêutico hospitalar, no contexto da unidade avaliada, foi retirado da Relação de Salários de Farmacêuticos para os Anos de 2022/2023 do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado da Bahia – Sindifarma, totalizando um custo mensal de R$ 6.417,62.

Ao incluir o custo com os profissionais ao cálculo comparativo (SDMDU em relação ao Cenário 1), o valor investido inicialmente seria recuperado em, aproximadamente, 50 dias, mantendo uma economia mensal de R$ 134.300,58.

CONCLUSÃO

Através da manipulação da Anfotericina B Lipossomal e Tigeciclina realizada pelo Farmacêutico, entre setembro de 2022 e junho de 2023, foi possível observar uma redução média mensal de custos associados ao uso desses medicamentos, equivalente a R$ 1.125.745,64 durante o período analisado. O valor economizado mensalmente (R$140.718,20), corresponde a 38% do custo médio/mensal (R$371.878,00) de medicamentos na unidade.

Após a análise dos dados, evidenciou-se que a prática do SDMDU é uma abordagem efetiva do ponto de vista farmacoeconômico e proporciona maior segurança no tratamento dos pacientes internados, quando comparado a dispensação individualizada. A realização da manipulação dos medicamentos em um ambiente controlado e direcionado, apresenta vantagens como a diminuição de erros de medicação, diminuição no risco de contaminações, além de representar redução nos gastos econômicos da unidade de saúde.

Por fim, os dados abordados no estudo evidenciam e reforçam a importância direta do profissional farmacêutico no cuidado com o paciente. A manipulação de medicamentos é uma atribuição importante e privativa do farmacêutico, possibilitando a garantia da qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos.

REFERÊNCIAS

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World Health Organization (WHO). WHO Global Patient Safety Challenge: Medication Without Harm. Geneva: WHO; 2017.

Protocolo de Londres 2024

Estamos animados em compartilhar com vocês a nova versão 2024 do “Protocolo de Londres“, também conhecido como “Análise Sistêmica de Incidentes Clínicos“.

O Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP), em parceria com Charles Vincent e outros autores renomados, apresenta orgulhosamente a tradução oficial para o Brasil da nova versão do Protocolo de Londres. O documento, disponibilizado gratuitamente, oferece uma abordagem sistemática para a análise de incidentes clínicos, trazendo avanços significativos para Segurança do Paciente em instituições de saúde.

Este protocolo é uma ferramenta essencial no movimento moderno de Segurança do Paciente, utilizada globalmente para promover o aprendizado e o desenvolvimento nessa área.

Agradecemos ao Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente, pela oportunidade de podermos divulgar esse material, esperamos que este documento fortaleça o aprendizado nas organizações de saúde e que continue a impulsionar a Segurança do Paciente no Brasil e no mundo.

Apoiamos essa iniciativa!


Baixe grátis o Protocolo aqui: https://cutt.ly/MeJi2tLK

O que é Unitarização de medicamentos e por que Unitarizar?

Unitarização de medicamentos ou Unitarizar (unit dose re-packaging em inglês) é o processo de preparar os medicamentos na forma pronta para ser administrados ao paciente. Este processo em vários hospitais é normalmente realizado na Farmácia do Hospital, no Setor de Armazenagem de Medicamentos ou Centro de Unitarização, mas sempre sob à responsabilidade e controle da Farmácia do Hospital.

Embora uma ampola deve ser diluída na Enfermaria, para ser considerado processo de dose única, falamos normalmente em unitarização e também quando a Farmácia converte em unidades (blister ou ampolas) para entregar a Enfermaria, denominamos esse processo de unitarização

unitarização envolve dois processos principais: embalagem e impressão da etiqueta ou embalagem unitária.

Opus Bio – embalagem biodegradável para unidose exclusiva Opuspac

Isso pode ser feito manualmente ou com máquinas unitarizadoras.

Outras tarefas do processo de unitarização são:

  1. retirar os medicamentos do estoque fechado;
  2. montar um “pedido de unitarização” com a informação correspondente: autorização, código de barras, quantidade de medicamentos, validade, etc.;
  3. conseguir os materiais para unitarizar;
  4. cortar os blister;
  5. separar os medicamentos de suas embalagens secundárias ou caixas;
  6. imprimir as etiquetas (em caso de unitarização manual);
  7. embalar e etiquetar : unitarizar;
  8. formar grupos adequados para o manuseio posterior dentro do estoque e etiquetar;
  9. guardar em local adequado dentro do armazém.

Este processo, normalmente é realizado imediatamente ao receber os medicamentos no hospital e antes de entrar no estoque fechado (estoque 1). Em processos de unitarização com máquinas automáticas é o procedimento padrão.

Em casos de unitarização manual nem sempre é possível fazer assim e algumas vezes, os medicamentos vão para estoque e posteriormente para ser unitarizados.

Hoje, existem máquinas que cortam os blísteres automaticamente, que são utilizadas por hospitais com mais de 200 leitos ou que desejarem adquirir esse equipamento.

Também existem máquinas semiautomáticas de unitarização e dispositivos para realizar todo o processo em forma automatizada, sem a presença constante do operador em todos os ciclos.

Por que Unitarizar Medicamentos?

Principalmente para centralizar o controle dos medicamentos na Farmácia do Hospital, diferenciar as embalagens e acrescentar o código de barras do hospital.

A centralização do controle permite redução de até 57% de Eventos Adversos, segundo dois estudos realizados na Alemanha e EUA.

A centralização do controle permite redução de até 57% de Eventos Adversos, segundo dois estudos realizados na Alemanha e EUA.

Este processo começou a ser divulgado pelo mundo a partir de 1965 e hoje é a principal tendência mundial.

Mas sua aplicação ainda não está generalizada em todos os países, inclusive na Europa, ainda há vários países que despacham os medicamentos para as enfermarias em caixas que são unitarizadas no momento de uso.

Nos EUA se unitarizam ou embalam, muitos medicamentos sem blister, recebidos em frascos grandes, para serem enviados aos armários eletrônicos das enfermarias ou outros setores.

Unitarizar para diferenciar – Unitarização de Medicamentos

As ampolas e os blísters recebidos diretamente dos laboratórios não contam com a necessária diferenciação para ser utilizados dentro do hospital.

Cada hospital e cada profissional de Farmácia tem suas próprias regras sobre como “customizar” a apresentação da embalagem.

Cada hospital e cada profissional de Farmácia tem suas próprias regras sobre como “customizar” a apresentação da embalagem.

É importante também, a colocação de códigos de barras próprios do Hospital. Em alguns casos, se adiciona um código serial em cada embalagem que tem um código ou identificação diferente e pode ser rastreado individualmente, desde o início da jornada do medicamento até o seu destino final com o uso associado a um determinado paciente, de modo que todo o processo de unitarização tenha maior controle.

Embalagem para Unitarização Opus Bio: biodegradável

Conheça soluções para Unitarização e Logística Hospitalar

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Taxis et al, Pharma World Sci. Em Alemanha demostraram 53 % de redução de EA em favor da unidoses

Barker, 1965. Estudo num Hospital de Arkansas deu que 57 % de redução de EA, quando passou do sistema coletivo para unidoses.

Introdução a Logística Hospitalar e o papel do Farmacêutico

A Logística Hospitalar é um conjunto de atividades que envolve a gestão de suprimentos, materiais, equipamentos, medicamentos, resíduos e leitos em hospitais, garantindo a disponibilidade dos recursos necessários no momento exato e na quantidade adequados. Seus processos são necessários para garantir que os suprimentos estejam armazenados corretamente e que os resíduos sejam destinados de maneira adequada, evitando “Mudas” (ou desperdícios, na linguagem LEAN), atrasos e interrupções no atendimento aos pacientes. É uma combinação de ciência e arte, que exige tanto habilidades técnicas quanto criatividade e flexibilidade para lidar com situações imprevisíveis e garantir que os pacientes recebam o melhor atendimento possível.


Em sua essência, é uma atividade que deve ser desempenhada de forma exata e, de certo ponto militar, sob o aspecto de necessidade de precisão e confiabilidade. Ao longo de toda a cadeia de logística, podemos nos deparar com situações como produtos que possuem prazos de validade limitados que exigem condições especiais de armazenamento; perda, ou extravio, de produtos pode ocorrer em qualquer etapa da cadeia; falta de transparência e dificuldades na rastreabilidade de produtos; necessidade de responder rapidamente as situações de emergência e orçamentos limitados para aquisição e gestão de suprimentos.


Portanto, é necessário compreender os processos, estabelecer diretrizes e executá-las visando a máxima eficiência na prestação de serviços aos pacientes gerando economia e eliminando Mudas em toda a cadeia. Veremos que eliminar Mudas reduz custos, ao mesmo tempo que promove melhorias nos serviços prestados, criando um equilíbrio entre a satisfação do paciente e o uso racional dos recursos disponíveis.


Neste artigo, apresentamos inicialmente algumas tendências aplicáveis à área, como a gestão de materiais e suprimentos, por exemplo, envolve a identificação das necessidades, a definição de especificações técnicas, a negociação com fornecedores, o planejamento de compras, o recebimento, o armazenamento, o controle de estoque e a distribuição dos materiais. Cada etapa deve ser realizada com precisão e eficiência, garantindo a qualidade dos produtos e a segurança dos pacientes.


O gerenciamento de resíduos hospitalares também é uma preocupação constante da logística hospitalar. Os resíduos gerados em hospitais são classificados de acordo com seu potencial de risco e devem ser segregados, acondicionados, transportados e destinados de forma adequada, seguindo as normas e regulamentações ambientais.


Além disso, inclui a gestão de leitos, o controle de estoque de medicamentos e a monitorização de indicadores de desempenho. Esses processos são essenciais para garantir a disponibilidade de recursos e a eficiência dos serviços prestados.


Com a evolução tecnológica, a logística hospitalar vem passando por importantes transformações. Sistemas informatizados, automação e robótica estão sendo cada vez mais utilizados para otimizar os processos e aumentar a eficiência da gestão de materiais, medicamentos e leitos.

Importância da logística hospitalar

Uma de suas principais vantagens é a redução de custos. A gestão eficiente de estoques, por exemplo, evita compras desnecessárias, ou erradas, e garante a disponibilidade dos materiais e suprimentos necessários na hora certa, atestando a qualidade dos serviços prestados, assim como, a disponibilidade de materiais e equipamentos adequados evita atrasos e interrupções no atendimento aos pacientes. A gestão de medicamentos garante que os medicamentos corretos estejam disponíveis na hora certa, evitando erros de administração e garantindo a eficácia do tratamento (relacionada com a segurança dos pacientes). A gestão adequada de resíduos garante que materiais contaminados sejam destinados de forma adequada, evitando riscos para a saúde pública.


A disponibilidade de leitos adequados e bem equipados fornecem qualidade nos serviços prestados e evita a superlotação dos hospitais, o que pode comprometer a qualidade do atendimento.


No contexto da saúde, as Mudas podem ocorrer em diversos pontos, como na gestão de estoques, na distribuição de medicamentos e materiais, no gerenciamento de resíduos, na gestão de equipamentos, entre outros. Além disso, o desperdício pode ter impactos negativos na qualidade do atendimento e na segurança dos pacientes, sendo possível identificar pontos críticos de desperdícios e implementar medidas para sua redução ou eliminação. Por exemplo, o uso de sistemas informatizados de gestão de estoque pode permitir um controle mais preciso dos medicamentos e materiais necessários, evitando compras desnecessárias e vencimentos de produtos. A gestão eficiente de resíduos pode permitir uma redução no desperdício de materiais e a adoção de práticas sustentáveis.


Além disso ela pode otimizar os processos de distribuição de medicamentos e materiais, permitindo uma maior agilidade na entrega e evitando atrasos e perdas. O gerenciamento adequado de equipamentos pode garantir que eles sejam utilizados de forma correta e segura, evitando que fiquem ociosos ou sejam danificados por mau uso.


Operações que não agregam valor, de forma geral, são aquelas que não trazem benefícios para o paciente, como atrasos na entrega de medicamentos e materiais, falhas na gestão de estoques e a falta de organização nas áreas de atendimento. Essas operações desperdiçam tempo e recursos, o que pode afetar negativamente a qualidade do atendimento e a satisfação do paciente.


Com sua aplicação é possível identificar e eliminar as operações desnecessárias, permitindo que a equipe médica e os profissionais de saúde (Farmacêuticos e Enfermeiros) se concentrem nas atividades que realmente importam. Por exemplo, a gestão eficiente de estoques pode garantir que os medicamentos e materiais necessários estejam sempre disponíveis, evitando atrasos e interrupções no atendimento.


Além disso, ela pode otimizar o fluxo de pacientes e a distribuição de recursos, permitindo uma maior agilidade e eficiência no atendimento, por meio da utilização de tecnologias e sistemas de informação, onde é possível monitorar e gerenciar todo o processo de atendimento, desde a triagem até a alta do paciente.


Outra vantagem é a redução de custos operacionais. Com a eliminação de operações que não agregam valor, os hospitais podem reduzir seus gastos com recursos e mão de obra, permitindo que esses recursos sejam redirecionados para atividades que tragam benefícios reais aos pacientes.


Em resumo, a logística hospitalar é uma área de extrema importância para garantir o bom funcionamento de hospitais e unidades de saúde. A gestão eficiente de suprimentos, materiais, equipamentos, medicamentos, resíduos e leitos é um ponto de atenção para a redução de custos, a qualidade dos serviços prestados e a segurança dos pacientes, incluindo também o controle de Muda e aprimorando a eficiência da gestão com a eliminação de operações e atividades que não agregam valor aos processos e ao hospital.

O papel do Farmacêutico na Logística Hospitalar

O farmacêutico é responsável por garantir a disponibilidade dos medicamentos necessários para o tratamento dos pacientes, avaliando e garantindo a qualidade, bem como por fornecer informações e orientações sobre seu uso adequado dos aos demais profissionais de saúde e aos pacientes.


Como responsável por todo e qualquer medicamento que entra no hospital, o farmacêutico deve entender toda a cadeia logística para garantir que todo o processo atenda aos requisitos legais e gerenciar o estoque, o que inclui a realização de inventários, a monitorização dos níveis de estoque e a programação de reabastecimento de forma eficiente, garantindo sua armazenagem de forma adequada e segura, a fim de preservar sua qualidade e eficácia.


Ele deve se familiarizar com os procedimentos do hospital e deve exercer a devida diligência e profissionalismo no desempenho de suas funções. O acrónimo ASIP (Ask, Seek, Inform, and Participate) é utilizado para ajudar o farmacêutico a minimizar os erros na cadeia de abastecimento de medicamentos e a promover uma comunicação aberta entre todas as partes, o doente, os profissionais de saúde e a comunidade. Como profissional qualificado é apoiado pelo departamento de farmácia do hospital e é membro do Comitê de Qualidade e Padronização do hospital, estes, tendo como finalidade garantir que as operações continuem a seguir padrões de segurança e eficiência, podendo ser solicitado a tomar decisões em relação ao fornecimento seguro de medicamentos em termos de uso de medicamentos controlados. Integra na equipe interprofissional do hospital e dará conselhos aos pacientes sobre os medicamentos prescritos, e como tal, tem o dever de garantir que o paciente tenha a melhor qualidade possível de atendimento, o que inclui a Atenção Farmacêutica.

Seu objetivo final é fornecer a mais alta qualidade de atendimento ao paciente.

Indicação bibliográfica
Leia mais sobre esse assunto baixando E-book gratuitamente: “Logística Hospitalar: Gerenciando recursos para uma Assistência de Qualidade” – onde é apresentado práticas, tendências e tecnologias aplicáveis às instituições de saúde.
https://opuspac-university.com/biblioteca/

Cultura de Segurança nas Organizações de Saúde: O Papel dos Princípios das Organizações de Alta Confiabilidade

A cultura de segurança em organizações de saúde é um conceito fundamental para garantir a qualidade do atendimento e a segurança dos pacientes. Com o aumento da complexidade dos cuidados de saúde, torna-se fundamental adotar práticas e princípios que promovam um ambiente seguro e eficiente. As Organizações de Alta Confiabilidade – High Reliability Organizations (HROs) oferecem um conjunto de princípios que podem ser aplicados em organizações de saúde para alcançar altos níveis de segurança e confiabilidade.

As organizações de saúde são consideradas de alto risco, no contexto das HROs, devido a fatores que influenciam diretamente as suas operações e os seus resultados. Aqui estão algumas das principais razões:

  • Natureza Crítica dos Serviços Prestados;
  • Complexidade das Operações;
  • Ambiente Dinâmico e Imprevisível;
  • Diversidade de Condições;
  • Erro Humano;
  • Dependência de Tecnologias;
  • Interações Complexas entre Equipes Multidisciplinares.

Características de uma Cultura de Segurança

Uma cultura de segurança forte é caracterizada por elementos que se inter-relacionam para criar um ambiente onde a segurança dos pacientes é prioritária. Algumas das principais características incluem:

 

  • Prioridade na Segurança: Em uma cultura de segurança, a segurança é priorizada em todas as decisões e ações. Isso inclui a alocação de recursos, treinamento e desenvolvimento de políticas e procedimentos.
  • Comunicação Aberta: A comunicação clara e aberta é primordial para identificar e resolver problemas de segurança. As equipes devem se sentir confortáveis em relatar erros e eventos adversos sem medo de represálias.
  • Aprendizado Contínuo: As organizações devem estar comprometidas com a aprendizagem contínua e a melhoria constante. Isso inclui a análise de incidentes, auditorias regulares e a implementação de melhorias baseadas em evidências.
  • Liderança Engajada: Lideranças visíveis e engajadas são fundamentais para promover e manter uma cultura de segurança. Os líderes devem demonstrar compromisso com a segurança e inspirar suas equipes a fazer o mesmo.
  • Responsabilização Justa: Uma cultura de responsabilização justa reconhece que a maioria dos erros resulta de falhas sistêmicas e não de indivíduos. As organizações devem focar na melhoria dos sistemas e processos em vez de punir os membros das equipes.

Princípios das HROs

As HROs são organizações que operam em ambientes complexos e de alto risco, mas conseguem manter níveis consistentemente baixos de acidentes e erros. Cinco princípios fundamentais guiam essas organizações:

 

  • Preocupação com Falhas: As HROs estão constantemente vigilantes para identificar e corrigir pequenas falhas antes que se tornem grandes problemas. Isso envolve criar uma cultura onde os erros são reportados e analisados detalhadamente.
  • Relutância em Simplificar: Em vez de buscar soluções simplistas para problemas complexos, as HROs reconhecem a complexidade de suas operações e buscam entendê-la completamente antes de agir.
  • Sensibilidade às Operações: As HROs mantêm uma consciência situacional elevada, garantindo que todos os membros da equipe estejam atentos às condições reais de trabalho e possíveis riscos.
  • Comprometimento com a Resiliência: A resiliência é a capacidade de responder rapidamente e efetivamente a eventos inesperados. As HROs treinam suas equipes para serem adaptáveis e preparadas para lidar com os eventos inesperados.
  • Valorização da Experiência: Quando surgem problemas, as HROs confiam nos especialistas com mais conhecimento, independentemente de sua posição hierárquica, para tomar decisões críticas.

Contribuição dos Princípios das HROs para a Cultura de Segurança
Os princípios das HROs são essenciais para a construção e manutenção de uma cultura de segurança nas organizações de saúde. Estes princípios promovem uma vigilância contínua para detectar e corrigir falhas antes que causem danos, incentivam análises detalhadas e abrangentes de incidentes, desenvolvem a capacidade de resposta rápida e eficaz a emergências e valorizam o conhecimento especializado dos profissionais.

 

A Tabela 1 mostra as principais contribuições.

Princípios das HROs Contribuições para a Cultura de Segurança
Preocupação com o Fracasso Implementa sistemas de acompanhamento contínuo para detectar problemas antes que eles se agravem, promovendo uma cultura de vigilância constante.
  Incentiva a notificação de incidentes e quase erros sem medo de represálias, criando um ambiente onde os profissionais se sentem seguros para reportar problemas e colaborar na busca de soluções.
Relutância em Simplificar Promove análises detalhadas e abrangentes de incidentes para identificar todas as causas possíveis, evitando soluções superficiais.
  Encoraja a participação de equipes multidisciplinares na análise de problemas, garantindo que múltiplas perspectivas e conhecimentos especializados sejam considerados.
Sensibilidade às Operações Implementa acompanhamento regular da segurança, onde líderes observam e discutem práticas com a equipe, identificando potenciais riscos em tempo real.
  Utiliza tecnologias de monitoramento para manter uma vigilância constante sobre os indicadores de desempenho e segurança, permitindo respostas rápidas a quaisquer anomalias.
Compromisso com a Resiliência Oferece treinamentos regulares em resiliência e resposta a emergências, assegurando que todos os funcionários saibam como agir em situações críticas.
  Desenvolve e testa regularmente planos de contingência para diversas situações de falha, assegurando que a organização possa manter a continuidade dos cuidados mesmo sob condições adversas.
Valorização da Experiência Estabelece estruturas de decisão que permitem que especialistas tomem decisões rápidas durante emergências, melhorando a precisão e a eficácia das respostas.
  Promove uma cultura onde a expertise é respeitada e valorizada, incentivando a cooperação entre diferentes níveis hierárquicos e especialidades.

Estudos mostram os resultados positivos alcançados por organizações de saúde após adoção dos princípios das HROs. O artigo Evidence Brief: Implementation of High Reliability Organization Principles destaca reduções significativas nos eventos graves de segurança, variando de 55% a 100%. Por exemplo, a Ohio Children’s Hospital Association alcançou uma redução de eventos graves de segurança de 55%, enquanto o Nationwide Children’s Hospital obteve uma redução de 83%, após dois anos de implementação dos princípios das HROs.

 

Conclusão

A adoção dos princípios das HROs promove um ambiente onde a segurança dos pacientes é priorizada e mantida. Ao integrar preocupações com falhas, relutância em simplificar, sensibilidade às operações, comprometimento com a resiliência e a valorização da experiência, as organizações de saúde podem alcançar altos níveis de segurança e qualidade no atendimento. A implementação desses princípios, apoiada por uma liderança engajada e uma comunicação aberta, cria uma base sólida para uma cultura de segurança sustentável e eficaz.

Autora: BIGOLIN, Fernanda. Doutora em Tecnologias e Sistemas de Informação, escritora, especialista nas práticas e princípios das Organizações de Alta Confiabilidade – High Reliability Organizations (HRO) e em interoperabilidade na área da saúde.

Atuação do Farmacêutico Clínico em um hospital de médio porte no interior de Santa Catarina

Atuação do Farmacêutico no Ambiente Hospitalar

O farmacêutico hospitalar é um profissional que desenvolve diversas atividades, dentre elas a farmácia clínica, a qual é voltada à ciência e prática do uso racional de medicamentos, onde farmacêuticos prestam cuidado ao paciente, de forma a otimizar a farmacoterapia, promover saúde e bem-estar e na prevenção de doenças.

Dentre as atribuições do farmacêutico clínico estão: a realização de uma relação de cuidado centrado no paciente; estabelecimento de ações voltadas para a proteção, promoção e prevenção em saúde; realização de planejamento e a avaliação da farmacoterapia; análise da prescrição de medicamentos; realização de intervenções; participação e promoção de discussões de casos clínicos; promoção a consulta farmacêutica; análise de exames laboratoriais; monitoramento dos níveis terapêuticos de medicamentos; elaboração de um plano de cuidado para o paciente e realização a revisão farmacoterapêutica.

Em um hospital de médio porte, na cidade de São Bento do Sul no estado de Santa Catarina, os farmacêuticos atuam na prevenção de tromboembolismo venoso, medicamentos para profilaxia de úlcera de estresse, profilaxia para lesão de córneas principalmente em pacientes que estão em uso de sedação; sinalização de interações medicamentosas, ajustes de doses de antibióticos conforme o clearance do paciente; via de administração e também na suspensão de medicamentos que causariam o mesmo efeito terapêutico gerando duplicidade. Esses pontos são discutidos diariamente no round da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com uma equipe multidisciplinar que possui como objetivo otimizar o atendimento de cada paciente. A equipe do round é composta pelo médico juntamente com o farmacêutico, assistente social, enfermeiras do setor e da CCIH, fisioterapeuta, nutricionista e psicóloga.

O farmacêutico também atua na conciliação medicamentosa, a qual previne erros de medicação resultantes de discrepâncias na prescrição, como duplicidades ou omissões de medicamentos, principalmente quando o paciente transita pelos diferentes níveis de atenção ou por distintos serviços de saúde. Observa-se também o tipo de sonda que o paciente está utilizando e se as medicações prescritas possuem compatibilidade por essa via de administração.

Resultados Adquiridos em um Hospital de Médio Porte

Todas essas atuações do farmacêutico dentro do ambiente hospitalar impactam não apenas na melhora clínica do paciente, como também na redução de custos para a instituição. Desde janeiro deste ano até outubro, obteve-se mais de 30 mil reais de redução, onde todas elas foram sinalizadas por farmacêuticos durante os rounds ou em contato apenas com o médico prescritor.

Pode-se observar no quadro abaixo onde encontra-se a discriminação da redução de custos por meses da farmácia clínica:

Indicador de redução de custos na farmácia clínica no ano de 2023

Além do indicador de redução de custos, o farmacêutico possui o indicador de Atendimento Farmacêutico na UTI, o qual se dá pelo total de pacientes na UTI, dividido pelo total de atendimento farmacêutico e multiplicado por cem, onde a meta é que o farmacêutico atue em todos os pacientes internados neste setor.

No início deste ano, no período de janeiro a março, ocorreu variações na taxa de atendimento, ficando o mês de janeiro em 93%, fevereiro em 100% e março em 94,4%. Após estes resultados foram criados plano de ação, onde foram ajustados alguns pontos com a equipe multidisciplinar como um horário fixo para o round inclusive nos finais de semana; a exclusão do indicador de pacientes que vieram a óbito em menos de 24 horas de admissão no setor; intensificou-se o treinamento com os farmacêuticos do período diurno, os quais participam dos rounds e realizam a visita farmacêutica. Nos meses seguintes pode-se observar que a meta foi atingida como mostra o quadro abaixo:

Indicador de atendimento farmacêutico na UTI em 2023

É de grande valia a atuação do farmacêutico, visto que somos um hospital de médio porte do interior de Santa Catarina, é uma vitória possuir hoje 100% dos pacientes atendidos pelo farmacêutico na UTI, o qual atua com a equipe multiprofissional, trabalhando pela segurança do paciente e qualidade no atendimento hospitalar.

Autores: MAIDANCHEN, Tatiane – Farmacêutica Clínica

MAGNUS, Esther Lombardi da Silva Magnus – Coordenadora de Farmácia

Avanços na Farmácia Hospitalar: Otimização de custos e processos por meio da tecnologia dispositivo móvel (Mobile)

Resumo

Esse artigo tem como objetivo demostrar a evolução e necessidade da otimização de custos e processos utilizando como ferramenta principal o dispositivo móvel (mobile). Este equipamento desempenha um papel crucial ao atender solicitações de prescrições médicas e materiais, sem a necessidade de depender de uma infraestrutura fixa. Tal abordagem não apenas aprimora a agilidade dos processos, mas também resulta em redução de custos, garantindo precisão no atendimento e aprimorando a produtividade.

Palavras-chaves: Farmácia Hospitalar, Dispositivo Móvel, Custos.

Abstract

This article aims to demonstrate the evolution and need to optimize costs and processes using the mobile device as the main tool, equipment that fulfills requests for medical prescriptions and materials, without the need for fixed equipment. Thus improving process agility, cost reduction, service precision with better productivity.

Keywords: Hospital Pharmacy, Mobile Device, Costs.

Introdução

Farmácia hospitalar

A farmácia hospitalar é uma parte essencial de um hospital ou instituição de saúde, responsável pelo gerenciamento, aquisição, armazenamento e distribuição de medicamentos e materiais para garantir o uso seguro e eficácia desses recursos terapêuticos no ambiente hospitalar. Contribui para a segurança do paciente, qualidade do atendimento e o controle de custos na área da saúde. Com o crescimento da instituição e os avanços tecnológicos impulsionaram a necessidade de incorporar tecnologias móveis à rotina farmácia hospitalar.

A integração dessas ferramentas não apenas acompanha a evolução do setor, mas também se torna cada vez mais acessível, proporcionando melhorias significativas na eficiência operacional.

A aplicação de tecnologias avançadas na gestão da farmácia hospitalar não se restringe apenas à modernização, mas transcende para a esfera estratégica. A sistematização de informações para formulação de estratégias permite aos gestores na área de assistência farmacêutica, uma base solida para tomada de decisões e aplicação de recursos com segurança.

Mobile

O mobile trata-se de um dispositivo móvel, onde podemos descrevê-los como portáteis, compacto e equipados com tecnologias avançadas com recursos de conectividade sem fio e com telas touch. Trata-se de um dispositivo dinâmico e adaptável, destinado a proporcionar mobilidade e versatilidade em suas funcionalidades.

O mobile na farmácia hospitalar

Para compreendermos a otimização do processo é essencial termos o conhecimento sobre o método da rotina anterior. As prescrições médicas são passadas pela avaliação farmacêutica e após eram impressas e, em seguida, o processo de separação era realizado da seguinte maneira: cinco pessoas se encarregavam da separação, levando em média de 15 a 20 minutos por prescrição médica. Além disso, dois colaboradores ficavam responsáveis pela digitação, (realizada no computador), no atendimento (em conta), dos pacientes, dos materiais/medicamentos separados pela equipe anterior. Após a digitação, era gerado um outro impresso, e encaminhados para o setor de dose onde era realizado a montagem das tiras, e duas pessoas ficavam responsáveis.

As conferências eram feitas com o documento de saída. Depois todos os papéis eram armazenados em uma sala pelo período de seis meses.

O papel do dispositivo móvel (mobile) na economia de recursos:

  1. Redução de erros: A precisão do atendimento reduz significativamente os erros de medicação, minimizando riscos para os pacientes e otimizando o uso de recursos no tratamento de consequências de erros.
  • Agilidade nos fluxos de trabalho: Processos como a dispensação de medicamentos e materiais tornam-se mais ágeis, melhorando a produtividade da equipe farmacêutica e reduzindo o tempo de espera dos pacientes.
  • Aspectos ambientais: Além dos beneficios econômicos para instituição, os beneficios ambientais da redução de folhas sulfites, contribui para práticas mais sustentáveis no setor de saúde.

Resultados

Com a implementação do mobile, otimizamos o fluxo de trabalho da seguinte maneira: as prescrições médicas passam pela avaliação farmacêutica, resultando na geração de solicitações que são liberadas conforme os horários determinados, não havendo a necessidade de imprimir os papéis, pois as informações são integradas ao dispositivo mobile, separados pelo nome do paciente e o horário das medicações.

Um único membro da equipe é responsável por conduzir todo o processo, desde a separação até a finalização, sendo possível diminuir significativamente o tempo médio de 20 minutos para 2-3 minutos. Aprimorando a confiabilidade dos itens enviados.

Os materiais e medicamentos são bipados através do código de barras ou QR Code, levando em conta que não é possível bipar o medicamento ou material que não estão na solicitação. Essa questão vai de encontro com a 3ª meta internacional, (pertencente às 6 metas internacionais de segurança do paciente), que envolve a segurança na prescrição, no uso e na administração de medicamentos. Todas as medicações devem ser usadas de forma adequada para não comprometer a sua segurança. O quadro de funcionários foi reduzido e também eliminado a demanda de espaço físico para armazenamento dos papéis.

A instituição possui elevado compromisso com a sustentabilidade, dessa maneira, o dispositivo móvel (mobile) tem sido um divisor de águas, diminuindo a quantidade significativa de uso de papeis, consequentemente, o custo com as impressões e aluguéis de equipamentos e mão de obra. Esses dispositivos permitem o atendimento das solicitações em tempo real, dispensação de medicamentos/materiais e rastreabilidade.

Além disso, oferecem funcionalidades como leitura de códigos de barras e QR Code, melhorando a precisão e a efetividade do processo. Vale a pena destacar que, a leitura via código de barra só é possível por meio de equipamentos que realizam a unitarização de ampolas, frascos ampolas, drágeas e comprimidos, dessa forma não é necessário mão de obra para o processo de etiquetação manual.

Gráfico 1 – Refere a redução de custos de resma do qual teve seu início 01/09/2022

De acordo com o gráfico 1 fica evidenciado, que após a utilização do mobile resultou em uma significativa redução dos custos relacionados ao consumo de papel sulfite, atingindo aproximadamente 89,72%.

Gráfico 2 – Redução de colaboradores em valores

O gráfico 2, refere-se à redução de mão de obra no valor de R$ 32.238,40

Conforme pode ser observado no gráfico 2, a otimização na equipe resultou em uma redução significativa de 84%. Cabe ressaltar que, para a implantação do dispositivo móvel (mobile), foi realizado um investimento de R$ 40.000,00 para aquisição de 10 mobile.

Considerações Finais

Os resultados do presente estudo demonstram que com a implantação do dispositivo móvel (mobile) não apenas resultou em uma redução de custos, mas também em aprimoramentos nos processos, na redução de erros e na garantia de segurança do paciente, conforme preconiza a 3º meta internacional de segurança do paciente. A farmácia hospitalar está no limiar de uma transformação significativa, impulsionada pelo dispositivo móvel (mobile). A economia de recursos alcançada por meio da precisão, agilidade e eficiência resultantes dessa tecnologia não só aprimoram a gestão, mas também elevam o padrão de cuidado ao paciente. O dispositivo móvel (mobile) na farmácia hospitalar não é apenas uma alternativa, mas uma necessidade para o futuro da prestação de assistência médica de qualidade.

Referências Bibliográficas

https://www.anahp.com.br/noticias/hospital-tacchini-implanta-farmacia-mobile/ [acesso em: 20 out 2023]

https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-sudeste/hc- ufmg/saude/metas-internacionais-de-seguranca-do-paciente/metas-internacionais-de-seguranca- do-paciente [acesso em: 20 out 2023]http://sbrafh.hospedagemdesites.ws/site/public/docs/padroes.pdf

Autores: CANDIDO, Elaine da Silva MATSUMOTO, Milena Yumi Silverio SHIRAYSHI, Tânia Yuriko Kushikawa GARCIA, Washington Luis

REIS, Carlos Henrique Bertoni ROMÃO, Maria de Fatima Silva

Preparo de medicamentos centralizado na unidade assistencial: um case de sucesso

A segurança do paciente e os erros de medicação são preocupações frequentes nas instituições de saúde por serem falhas recorrentes na cadeia medicamentosa (CM). A partir da identificação de fragilidades no processo, verificou-se a necessidade de otimização do fluxo de dispensação, armazenamento e preparo de medicamentos em um hospital privado de Porto Alegre. Tendo em vista esse cenário, o propósito foi estudar e elaborar uma área específica para o preparo de medicamentos de forma simples e atípica, sem onerar o serviço com a implantação do formato clássico através da RDC 67/2007, mas que promovesse efetividade na etapa da CM que mais apresentava eventos no ambiente hospitalar. O desafio foi estruturar a gestão compartilhada da CM pelas equipes de farmácia e enfermagem, e como em todos os casos de propostas de mudanças, houve a necessidade de ruptura do processo usual de todas as categorias profissionais envolvidas.

Alegações quanto a regulamentação proibitiva e dúvidas em relação ao quantitativo de recursos humanos para operação, foram dificuldades enfrentadas nesse processo. Em contrapartida, os possíveis ganhos com a melhoria evidenciavam-se: profissionais exclusivos para o preparo dos medicamentos, nas salas de preparo de cada unidade de internação, em ambientes específicos, sem distrações que pudessem interferir nessa tarefa, padronização do preparo conforme especificações técnicas do fármaco, maior controle de estabilidade, armazenamento e dispensação dos medicamentos oriundos da farmácia central, dispensação individualizada e identificada dos medicamentos multidose, controle dos medicamentos dos pacientes trazidos do domicílio após validação farmacêutica e dupla checagem com os técnicos encarregados pela administração do medicamento de modo a estabelecer mais uma barreira entre o medicamento e o paciente.

Para tornar viável a melhoria, algumas adaptações foram necessárias: reforma do espaço físico, visando um layout compartilhado entre as equipes e exclusivo para a dinâmica proposta, contratações de auxiliares de farmácia e técnicos de enfermagem e capacitações das duplas abordando a interface das categorias para efetividade do projeto. As atividades determinadas para o auxiliar de farmácia foram a separação dos itens componentes da prescrição e elaboração de etiqueta individualizada com identificação (rastreabilidade). Já as do técnico de enfermagem foram a conferência dos itens/etiqueta e o preparo dos medicamentos para a dispensação ao técnico encarregado da administração ao paciente.  

Como resultado, após um ano de implementação, observou- se uma redução de 60% dos estornos de medicamentos, economia de R$1.750,00 em relação a perdas mensais e redução de 55% em relação à erros de administração de medicamentos, mesmo havendo aumento da complexidade dos procedimentos realizados e perfis de pacientes admitidos no período. A meta 3 de segurança do paciente faz parte do propósito institucional, e implantar melhorias para deter os erros relacionados a medicamentos nortearam a criação desse estudo. Os resultados comprovam que a centralização na unidade assistencial possibilitou, além de um embargo entre medicamento e paciente, uma farmacoeconomia substancial, promovendo um cuidado sustentável para a instituição. Diante do exposto, conclui-se que as salas de preparo são um case de sucesso.

Palavras chave: medicamento, segurança do paciente, sala de preparo, unitarização.

Autor: FERRAZ, Priscila

Preservar e salvar vidas através do processo medicamentoso seguro

Resumo

Introdução

A farmácia hospitalar tem como objetivo, dentre outros, garantir o uso seguro e racional dos medicamentos prescritos, com processos bem definidos e de qualidade que assegurem a eficácia do tratamento e a segurança do paciente. A farmácia tem participação estratégica na elaboração de uma política de uso racional de medicamentos, com vistas a melhorar e garantir a qualidade da farmacoterapia e reduzir os custos institucionais.

Este estudo relata os processos e as intervenções realizadas pelo serviço de farmácia hospitalar, bem como, o caminho que o medicamento percorre até a chegada no paciente a beira leito no Hospital Vida e Saúde de Santa Rosa – RS, qual é acreditado com excelência pela Organização Nacional de Acreditação (ONA).

Objetivo

Descrever a evolução do processo medicamentoso no Hospital Vida e Saúde, como pilar na qualidade e segurança do paciente.

Metodologia

Trata-se de um estudo descritivo o qual narra as intervenções realizadas para melhoria do processo medicamentoso.

Discussão/Conclusões

Ao final da implementação do processo medicamentoso, desde o recebimento até a administração no paciente, observa-se uma significativa melhora nos resultados, o que é confirmado pelos indicadores de gestão relacionados a segurança na prescrição, uso e administração de medicação. Os dados institucionais permitem afirmar que desde o início da implementação deste processo não há registros de evento adverso classificado como letal, relacionado ao processo medicamentoso.

O conjunto de ações desenvolvidas pela Gestão no atendimento seguro ao paciente, relacionado a medicação segura, aumentou a confiança dos pacientes, familiares e profissionais envolvidos no processo.  Além disto, houve diminuição de custos e retrabalho, o que repercute ao profissional de saúde em maior disponibilidade de tempo na assistência direta ao paciente. Pode-se afirmar que com a implementação desse processo, investimento tecnológico, melhoria da infraestrutura, capacitação dos profissionais e gestão dos indicadores assistenciais de segurança, a direção considerou os custos como um importante investimento a favor das vidas que podem ser preservadas e ou salvas através de um protocolo medicamentoso seguro.

Descritores: Farmácia Hospitalar; Intervenção Farmacêutica; Segurança do Paciente; Dispensação por Dose Unitária;

Introdução

O Hospital Vida e Saúde é parte integrante da história do município. Desde a sua fundação, em 27 de junho de 1935, exerce um papel fundamental na saúde da população santarosense e região. Foi idealizado para ser uma Instituição de cunho filantrópico em função da necessidade de prestação de assistência ou ajuda, primando sempre pelo atendimento da população menos favorecida, o que vigora até a atualidade, confirmado pelos 74% dos atendimentos prestados aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no ano de 2022.

A partir de 2006 o Hospital começou a viver um novo momento. A gestão da Instituição começou a ser realizada por um Conselho de Administração que, de forma voluntária, conseguiram firmar importantes parcerias para proporcionar investimentos na infraestrutura, tecnologia e gestão.

Atualmente, essa Casa de Saúde presta serviços de média e alta complexidade para uma população em torno de 1 milhão de pessoas, nas mais diferentes especialidades. A busca por melhorias na infraestrutura, qualidade e segurança na assistência tem sido a marca da Instituição nos últimos anos. Fruto deste trabalho um projeto moderno e inovador está sendo construído e irá proporcionar ao Complexo Hospitalar ser referência para todo o Estado.

Ao longo de toda sua trajetória, a presença do Hospital Vida e Saúde se confunde com a história do desenvolvimento regional, pois ao longo do tempo construiu-se um valioso patrimônio constituído de prédios, equipamentos e instalações, mas acima de tudo é constituído por profissionais competentes e humanos comprometidos com o SER e a VIDA.

Neste contexto, a farmácia hospitalar tem participação estratégica na busca constante por qualidade e segurança aos pacientes. A implementação da política de uso racional de medicamentos vai muito além dos inúmeros benefícios aos pacientes. Proporciona aos profissionais confiança e credibilidade em suas ações e tem a preocupação econômica em e reduzir os custos.

A farmácia hospitalar é um setor do hospital onde envolve atividades administrativas e econômicas, gerenciada por um profissional farmacêutico. (CARVALHO, 2017). Têm como sua principal atividade a dispensação dos medicamentos de acordo com a prescrição médica, nas quantidades e especificações solicitadas, de forma segura e no prazo requerido, o que possibilita o uso seguro e correto de medicamentos.

Nas últimas duas décadas, as farmácias hospitalares no Brasil, têm evoluído e se organizado com o objetivo principal de contribuir para a qualidade da assistência à saúde e, tendo o medicamento como instrumento central exercício dessa função, devem ter como foco de sua atenção o paciente e suas necessidades (TRAJANO, 2019). Assim, seus processos, sua organização e sua prática devem assegurar um tratamento medicamentoso de qualidade, bem como, prevenir que erros de dispensação aconteçam.

Na assistência à saúde, os medicamentos têm papel crucial na terapêutica, com potencial curativo, diagnóstico e de alívio de sintomas. O acesso a eles é considerado um direito humano fundamental, mas deve ser promovido de forma racional a fim de minimizar os eventos adversos relacionados. Ou seja, um processo que forneça o medicamento ideal para aquele indivíduo que o necessita, compreendendo a prescrição apropriada, disponibilidade oportuna, dispensação adequada e administração ou consumo em doses, intervalos e períodos indicados (MONTEIRO, 2021). O medicamento ideal, por sua vez, corresponde a aquele que tem a forma farmacêutica adequada, de fácil administração, boa adesão terapêutica, concentração e volume corretos para se obter a dose necessária (QUEIROZ, 2016).

A prevenção de erros de medicação tem sido reconhecida mundialmente como uma prioridade para os serviços de saúde, já́ que são considerados eventos adversos evitáveis e que, além de causar danos ao paciente, ocasionam custos às instituições sendo considerado atualmente como um problema de saúde pública crescente. Conhecer todas as características peculiares relacionadas ao sistema de medicamentos, contribuiu para subsidiar a reorganização dos processos de trabalho voltados a prevenção de erros. O erro de medicação se caracteriza por qualquer discrepância entre a medicação prescrita e a administrada (VEIGA, 2021).

Neste ínterim, o presente estudo descreve como era desenvolvido o processo medicamentoso antes da realização de padronização e quais os resultados obtidos com a implementação do processo de medicamentoso seguro.

Objetivo Geral

Descrever a evolução do processo medicamentoso no Hospital Vida e Saúde, como pilar na qualidade e segurança do paciente.

Metodologia

Trata-se de um relato descritivo das atividades realizadas pela farmácia hospitalar para garantir um processo medicamentoso seguro.

Essa narrativa descreve as ações desenvolvidas no Hospital Vida e Saúde, situado na região Noroeste do estado do Rio Grande do Sul, de grande porte, filantrópico, certificado com Excelência – nível 3 (ONA).

No referido hospital funciona o Serviço de Assistência Farmacêutica com atuação de dose farmacêuticas, distribuídas por turnos e plantões. Além da dispensação por dose unitária, por horário, com diluição e tele entrega pela farmácia, o serviço dispõe de Farmácia Clínica, Conciliação Medicamentosa, Intervenção farmacêutica, participação em Rounds multiprofissionais diários além de atuar em treinamentos e capacitações das equipes quanto ao processo medicamentoso.

Foram incluídos no relato todos os processos adotados a partir da chegada da medicação na instituição, até a administração no paciente a beira leito.

Discussão

Infraestrutura da Farmácia Hospitalar do Hospital Vida e Saúde

O espaço interno da farmácia deve ser independente de forma a não permitir o acesso desnecessário de usuários e profissionais de outros setores nos ambientes internos da farmácia. Deve-se considerar ainda, mecanismos e equipamentos de segurança à proteção das pessoas e dos produtos em estoque, pois são determinantes para manter a ordem e a harmonia no ambiente e minimizar perdas por furtos e avarias.

Pensando em garantir uma estrutura adequada para o funcionamento das farmácias, as áreas foram divididos da seguinte forma:

  • 1 Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF);
  • 1 Farmácia Central;
  • 1 Central de Diluição de Medicamentos;
  • 3 Farmácias do Bloco Cirúrgico;
  • 1 Farmácia Oncologia.
Imagem 1 Local de dispensação da Farmácia Central

Padronização dos processos

A falta da padronização do processo medicamentoso, permitia erros em relação ao fluxo da medicação. Essa situação acarretava, desperdício de recursos materiais, dificuldades na infraestrutura, recursos humanos, ambiente, eventos adversos, etc.

A padronização dos processos veio através da necessidade de organização das metodologias e ações da Instituição, tendo como objetivo uma maior qualidade e segurança para o paciente e servindo como um suporte para a avaliação de resultados. Entre os processos medicamentosos, o PP 075 – SEGURANÇA NA PRESCRIÇÃO, USO E ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS, define o padrão de execução no sentido de promover práticas seguras no uso de medicamentos em âmbito hospitalar.

Através deste definiu-se:

  • Práticas seguras para prescrição de medicamentos;
  • Práticas seguras de distribuição de medicamentos;
  • Práticas seguras na administração de medicamentos;
  • Tratamento de não conformidades e eventos;
  • Padronização de medicamentos e procedimentos adotados;
  • Farmácia clínica, farmacovigilância e reconciliação medicamentosa;
  • Indicadores de monitoramento e controle.

Padronização dos medicamentos

O Manual de Padronização de Medicamentos destina-se aos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos e demais profissionais que atuam na instituição, e tem por finalidade tornar acessível a relação de medicamentos elaborada pelo comissão de Padronização de Medicamentos e pelo Serviço de Farmácia Hospitalar e aprovada para uso na instituição.

Diante do elevado número de medicamentos, é imprescindível que o hospital padronize e divulgue o manual de medicamentos padronizados disponíveis no serviço de farmácia.

A padronização de medicamentos é uma relação básica de medicamentos que tem por objetivo o atendimento médico-hospitalar de acordo com suas necessidades e peculiaridades locais, otimizando o equilíbrio entre eficácia, segurança e custo da assistência hospitalar.

Para sua elaboração levou-se em consideração princípios ativos mais utilizados nas patologias tratadas na instituição e os medicamentos foram relacionados pela Denominação Comum Brasileira (DCB).

A existência de uma relação padronizada de medicamentos proporciona ao hospital alguns benefícios, como:

  • Adquirir somente produtos com valor terapêutico comprovado;
  • Reduzir o custo da terapêutica, sem prejuízos para a segurança e a efetividade do tratamento;
  • Reduzir o número de fórmulas e formas farmacêuticas;
  • Reduzir os estoques qualitativo e quantitativo;
  • Reduzir o custo de aquisição de medicamentos;
  • Facilitar a comunicação entre farmácia, médicos, enfermagem e setores administrativos;
  • Simplificar rotinas de aquisição, armazenamento, dispensação e controle;
  • Agilizar a dispensação;
  • Viabilizar a dispensação pelo sistema de Dose Unitária.

Foi elaborado um documento com todos os medicamentos padronizados (M 002 – MANUAL DE PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS) e criado uma comissão para aprovação de novas medicações a serem inclusas.

Os médicos devem estar cientes de que o medicamento que ele está prescrevendo é padronizado no Hospital e que estará disponível para administração. Para isso terão disponível o Manual através do sistema utilizado, bem como, o Tasy nos traz a informação das medicações no momento da prescrição eletrônica.

Informatização da prescrição e dos processos

A prescrição é, essencialmente, um instrumento de comunicação entre médico e equipe multidisciplinar, principalmente a farmácia e enfermagem que realizam a dispensação e administração das medicações. Para ser considerada adequada, além da clareza deve seguir os critérios para prescrição racional, sendo apropriada, segura, efetiva e econômica. Essas características contribuem para maiores chances de êxito da terapia aplicada e segurança do paciente.

A ilegibilidade da escrita e a falta de informações claras nas prescrições manuais levam a erro de interpretação, erro de dispensação, falhas nas vias de administração e nos intervalos de aplicação, entre outros danos que poderiam gerar eventos relacionados a medicação.

Imagem 2 Prescrição manual utilizada antes da informatização do processo

A informatização do processo medicamentoso tem grande impacto na qualidade dos serviços, pois a segurança em relação ao tratamento do paciente se torna mais confiável a ponto de ter barreiras que impeçam a continuação do possível erro. 

No intuito de melhorar a performance do processo medicamentoso com o auxílio da tecnologia, em 2014 foi adquirido e implantado um novo sistema ERP (Tasy).   

O novo sistema permitiu a implantação da prescrição eletrônica que levou o Hospital a um outro patamar de controle e rastreabilidade no tratamento medicamentoso do paciente. Através dela foi possível criar barreiras como: alertas de alergias, bloqueios de vias de administração não autorizadas, preenchimento completo dos dados da medicação, alertas de duplicidade, avaliação de prescrições pelas farmacêuticas e bloqueios que evitam possíveis erros.

Atualmente, a prescrição é realizada em todos os setores, através de um processo integrado, onde a consulta das informações acontece em tempo real. Com esta tecnologia as informações sobre medicações são visualizadas pela equipe da farmácia, tão logo sejam liberadas pelo médico.

Imagem 3 Prescrição Médica – eletrônica

Gerenciamento de estoques

A gestão logística tem como principal finalidade a eficácia na administração de materiais, proporcionando a sua disponibilidade no tempo correto, em quantidade exata e ao menor custo possível (ANDREOLI, 2015).

O gerenciamento interna do estoque é feita pelas áreas de Suprimentos e Farmácia de forma integrada. Essa relação não pode ser feita por suposições, mas com base em informações. A área de suprimento utiliza através da plataforma Gtplan a inteligência artificial para gerar a demanda para ressuprimento através do que temos em estoque e do que está sendo consumido e possui saída no momento, gerando uma economia em relação a quantidade de valor parado em estoque, bem como um controle maior para não haver faltas.

A reposição dos estoques das Farmácias Satélites e Carros de Emergência são automatizadas, conforme demanda e estoques máximos para cada local, fazendo com que ocorra um maior controle das entradas e saídas de medicamentos.

Os locais de armazenamento de medicamentos possuem controle de entrada e saída, bem como, medicações de alta vigilância possuem armários com chave para a guarda dos mesmos.

Imagem 4 Prescrição Médica – Eletrônica

Unitarização

A utilização de seladoras manuais (equipamento indicado para selagem de embalagens plásticas de polietileno e polipropileno) para o processo de unitarização de comprimidos, drágeas e cápsulas pode trazer riscos em relação a perda de informações do rótulo do produto, pois o medicamento é retirado da sua embalagem original, blister é cortado, perdendo as informações originais de nome, dosagem, lote e validade. As informações eram copiadas manualmente pelo profissional em etiqueta adesiva e coladas na nova embalagem do produto.

Visando sempre a segurança do paciente foi adquirido uma unitarizadora semi-automatizada Opuspac de fórmulas farmacêuticas sólidas como comprimidos, cápsulas e drágeas.

Este equipamento é interligado ao sistema, que traz a informação necessária do rótulo do produto (Nome, dosagem, lote e validade) através da vinculação da chegada da medicação pela conferência da Nota Fiscal, não sendo mais necessário o retrabalho de copiar as informações e também oferecendo uma maior segurança neste processo.

Uma das funcionalidades utilizadas no equipamento é realizar a diferenciação de cores através de classificações adotadas pela instituição, como por exemplo medicações potencialmente perigosas e de alta vigilância no processo de fracionamento.

A utilização da Opuspac nos auxilia no fracionamento por dose unitária e na classificação das cores da chegada da medicação até a bipagem beira leito no momento da administração da medicação no paciente.

Através da sistemática de cores, conseguimos treinar as equipes das diferentes áreas para um cuidado maior e um entendimento melhor do risco que as medicações oferecem no momento da diluição e administração.

Imagem 6 Processo de Unitarização através da Opuspac

Sistema de dispensação

O sistema utilizado era de dispensação individualizada, ou seja, medicamento dispensado por paciente, para um período de 24 horas.  A prescrição completa do paciente era atendida uma única vez, o que gerava estoques não controlados nos setores e medicações disponíveis para uso indevido.

A identificação utilizada para informar o destino da medicação era apenas o número do leito, não constando nome do paciente. Sistema este que oferecia um potencial risco de erro de medicação pelo fato das medicações estarem expostas todas juntas. Ocorria falta de controle efetivo do estoque, das baixas e cobranças realizadas e entrega de medicações “SN” e “ACM” (Se Necessário e A critério Médico) mesmo sem haver necessidade da administração no paciente naquele momento do atendimento da prescrição pela farmácia.

Imagem 7 Estrutura da Farmácia Central e dispensação para 24h

Uma das estratégias para tentar minimizar essas limitações relacionadas à terapia dos pacientes, auxiliando na oferta de maior segurança ao paciente durante o processo de medicação, é a utilização do sistema de distribuição de medicamentos por dose unitária (SDMDU). Nesse sistema, os medicamentos são dispensados nas dosagens e formas adequadas para o paciente, prontos para serem administrados pela enfermagem, de acordo com a prescrição, num dado período, incluindo o farmacêutico como mais uma barreira para possíveis erros de medicação ao analisar a prescrição para confecção das doses num ambiente controlado (Teles et al, 2020). No Brasil sua regulamentação é realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em sua Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 67 de 8 de outubro de 2007 (Brasil, 2007).

O sistema de dispensação de medicamentos no Hospital Vida e Saúde foi modificado para dose unitária/por horário, com diluição e com “tele-entrega” de medicamentos para as unidades de internação. Neste processo não ocorre o acúmulo de doses a serem preparadas pelos profissionais de enfermagem, bem como, acúmulo de medicamentos que poderão ser desperdiçados, acarretando em prejuízo.

A dispensação adotada determina o grau de controle que se tem com as medicações e proporciona doses personalizadas aos pacientes conforme prescrição médica (sem sobras nas unidades de internação), redução dos erros de medicação, racionalização da distribuição, reduz os custos da instituição em relação aos medicamentos e aumenta a segurança para o paciente.

A razão de ser deste modelo de dispensação está em analisar a prescrição, corrigindo eventuais problemas a fim de garantir que o paciente receba o tratamento correto e adequado conforme a prescrição médica.

Imagem 8 Dispensação por dose unitária, por horário, com diluição e tele-entrega nas unidades de internação

Dentre os sistemas de dispensação, a Dose Unitária oferece:

  • Segurança para uma adequada terapia medicamentosa;
  • Redução da incidência de erros;
  • Utilização mais efetiva dos recursos profissionais;
  • Pode gerar redução de custos no desperdício de medicamentos;
  • Sistema mais racional e que oferece melhores condições de controle.

Vantagens atribuídas a esse sistema:

As vantagens observadas no processo de dispensação por dose unitária são:

  • Redução da incidência de erros de administração de medicamentos;
  • Identificação do medicamento até o momento da sua administração, sem necessidade de transferências e cálculos;
  • Redução de tempo dispendido pelo pessoal de enfermagem nas medicações;
  • Diminuição de estoques periféricos, e consequente redução de perdas;
  • Otimização do processo de devolução;
  • Auxílio no controle de infecção hospitalar, devido ao preparo das doses em ambientes reservados;
  • Faturamento mais preciso do consumo de medicamentos (por paciente);
  • Maior segurança para o médico em relação ao cumprimento das prescrições;
  • Participação efetiva do farmacêutico na definição da terapia medicamentosa;
  • Eliminação de erros de transcrição de receitas;
  • Grande adaptabilidade a sistemas informatizados.

A diluição de medicamentos normalmente é realizada no posto de enfermagem pelo profissional Técnico de Enfermagem na unidade de internação.

A Central de Diluição de Medicamentos foi criada visando um maior controle e segurança no processo de diluição. Hoje contamos com atendimento 24h com supervisão em tempo integral por Farmacêuticas. Em ambiente adequado e controlado, onde todas as medicações são preparadas e dispensadas, ficando prontas para equipe de enfermagem administrá-la no paciente. 

Este processo se torna confiável pela diminuição de profissionais em contato com a medicação, pela capacitação efetiva dos mesmos nos processos específicos de diluição e fracionamento de medicamentos, bem como, possibilita que a enfermagem disponibilize maior tempo para a assistência aos cuidados com o paciente beira leito.

Mesmo após a diluição da medicação a classificação das cores se mantem através da etiqueta de identificação que sai automaticamente com os dados do paciente e da prescrição do medicamento.

Imagem 9 Central de Diluição de Medicamentos e etiqueta colorida de identificação da medicação pronta para administração

Rastreabilidade

Sabe-se que o controle e rastreabilidade de medicamentos possui grande importância, porém a manualização dos processos e falta de sistema que contemplasse esta funcionalidade, por muitos anos, impossibilitou a Instituição de ter uma rastreabilidade efetiva e confiável nas medicações.

Através de tecnologia de captura de código de barras, atualmente pode-se rastrear a medicação, desde a sua chegada até o momento de ser administrada no paciente. Todas as medicações possuem código de barras e seu rastreamento e controle é uma realidade.

O controle pelo código de barras torna muito mais simples e seguro a movimentação da medicação, feita por lote, considerando a validade, objetivando usar sempre o que vai expirar primeiro. O sistema não permite que medicações com validade expirada sejam dispensadas pelas Farmácias, criando então uma barreira neste processo. 

O sistema do HVS (Hospital Vida e Saúde) também permite saber para qual paciente o lote foi destinado. “O medicamento certo, para o paciente certo, na hora certa”. 

Imagem 10 Leitura de todas as medicações através do código de barras

Administração de medicamentos com checagem beira leito

A administração de medicamentos é uma atividade frequente para a equipe de Enfermagem dentro de um hospital, porém erros nesta prática podem causar danos aos pacientes. Ela é considerada a última barreira que pode evitar que um erro aconteça e por este motivo se torna tão importante dentro do processo da própria farmácia Hospitalar.

Medicar um paciente requer um processo de comunicação eficaz e auxílio de um sistema ERP que atenda às necessidades. O processo de administração é muito passível de erros, tanto pelo não entendimento da prescrição médica, quanto pelo erro de manipulação e troca da medicação. 

Em virtude da falta de sistema e falha na comunicação, a prescrição manual que era realizada dentro da Instituição de forma incompleta e ilegível, ocasionava erros frequentes na administração, bem como insegurança da equipe técnica.

Tendo em vista sempre melhorar a segurança do paciente com um tratamento e atendimento de qualidade, utilizamos ferramentas que garantam a segurança na administração.

Atualmente, para prestar um bom serviço, é preciso se certificar de diversos pormenores, desde o momento da admissão no Hospital, até a alta do paciente. Uma das etapas que pode contribuir para fomentar a credibilidade da unidade é a administração da medicação com checagem beira leito. 

A Bipagem beira leito possibilita barrar uma possível troca de medicação ou de paciente, pois esta deve ser checada através de leitura código de barras antes da administração, possibilitando o disparo de um alerta quando a medicação administrada não é a que está prescrita ao paciente.

Porém esta bipagem beira leito depende de todo processo que antecede este momento, ou seja, o fluxo e processos dos medicamentos na farmácia e se estes não estiverem completos a administração também não estará.

Imagem 11 Bipagem beira-leito na administração de medicação

Presença do farmacêutico em tempo integral

A Instituição contava apenas com uma farmacêutica, impossibilitando uma efetiva atuação/supervisão em processos e desenvolvimentos de medidas de controle de erros.

O farmacêutico não tinha um papel de controle nos processos e sim uma função de compra de produtos farmacêuticos.

Hoje contamos com 12 profissionais farmacêuticos distribuídos através de atividades, escalas e plantões e que exercem um papel fundamental em toda cadeia de cuidado e controle no processo medicamentoso.

Serviço de Farmácia clínica

Farmácia Clínica é uma área voltada à ciência e prática do uso racional de medicamentos, na qual o farmacêutico avalia as prescrições dos pacientes, buscando evitar interações medicamentosas, incompatibilidades, buscando otimizar a farmacoterapia e promover saúde e bem-estar.

O Farmacêutico atua na gestão dos riscos advindos das interações medicamentosas, interações fármaco-nutriente, incompatibilidades em via Y, duplicidade terapêutica, interferência fármaco-exames, pela qual os pacientes são submetidos durante o período de internação.

Ocorre uma atuação farmacêutica em nível de tomada de decisões clínicas juntamente com equipe médica, multidisciplinar e gestão de risco para garantir a segurança do paciente. É realizado uma evolução no prontuário do paciente, com intuito de contribuir numa possível ação para melhoria do quadro clínico do paciente, através da Farmácia Clínica.

Hoje com a utilização da plataforma Noharm para Farmácia Clinica conseguimos priorizar os pacientes com escore de risco mais alto, bem como a inteligência artificial nos traz vários dados referente ao paciente e medicações prescritas, de forma clara e prática para que o farmacêutico possa decidir a intervenção a ser realizada.

Além da Farmácia Clínica realizada diariamente, nas Unidades de Terapia Intensiva – UTI é realizado “Round’s Multidisciplinares” beira leito com acompanhamento do farmacêutico.

Imagem 12 Round Multidisciplinar

Os farmacêuticos devem ser autorizados e encorajados a fazerem os registros de suas atividades com a finalidade de documentar suas constatações, avaliações, conclusões e recomendações em evolução visível a todos os profissionais da equipe multidisciplinar (LIMA, 2018).

Serviço de Conciliação medicamentosa

Conciliação Medicamentosa é um processo que consiste na obtenção completa e precisa dos medicamentos de uso habitual do paciente e posterior comparação com a prescrição em todas as transições de cuidado.

Esta conciliação é realizada no momento da internação do paciente que utiliza medicação de uso continuo, onde é feito o levantamento das medicações usadas em casa e comparadas pela farmacêutica com as medicações prescritas. Nesta análise é avaliado também lote e validade da medicação que o paciente utiliza habitualmente, orientando-o e garantindo a rastreabilidade do que está sendo utilizado.

Padrão de processo, PP065 – Farmácia Clinica, Conciliação Medicamentosa e Farmacovigilância, com as descrições de todas as orientações e práticas.

Imagem 13 Visita do profissional farmacêutico beira leito para Conciliação Medicamentosa

Indicadores e resultados

Em 2017, com a implantação do Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos no Hospital Vida & Saúde, também foi implantado o Plano de Segurança  Institucional, tendo como base os protocolos básicos de segurança publicados pelo Ministério de Saúde e estruturada uma Matriz de Indicadores de Segurança.

Neste contexto, para avaliar e gerenciar o processo medicamentoso, foram definidos 3 indicadores:

Imagem 14 Indicador relacionado à prescrição médica – Taxa de erros na prescrição de medicamentos (2020 – 2023).

Do ponto de vista médico, a maioria dos erros relacionados à prescrição médica ocorre em função da falta de habilidade no manuseio do sistema, principalmente com os médicos mais antigos da Instituição, que, por fatores culturais não tiveram a convivência com os avanços tecnológicos implantados. Desta forma, mesmo com treinamento individualizado, trocavam seguidamente a concentração e o quantitativo do medicamento ao prescrever. 

Um problema comum era realizar a prescrição médica fora do horário preconizado pela instituição, principalmente pelos cirurgiões que, ocupados no turno da manhã no Centro Cirúrgico, chegavam para prescrever nas unidades após o horário de vencimento daquela prescrição. Para corrigir e melhorar esta etapa do processo medicamentoso identificou-se os médicos com maior dificuldade, mantendo um funcionário treinado e habilitado nas unidades para auxiliá-los no ato da prescrição.  Outra medida para melhorar a questão dos atrasos da prescrição médica foi alterar em duas horas o horário de vencimento e vigência da prescrição médica.   

Analisando o quadro de indicadores com as respectivas taxas relacionadas aos erros na prescrição, observou-se uma redução significativa com as melhorias implementadas.

Imagem 15 Indicador relacionado à dispensação de medicamentos – Taxa de erro na dispensação de medicamentos (2020 – 2023)

Após o início do gerenciamento dos indicadores e constante conscientização da importância dos registros, observou-se um aumento gradativo do número de notificações no sistema, relacionados à falhas na dispensação de medicamentos, efetuadas pela equipe da Farmácia e da Enfermagem.   Na fase de implantação da gestão dos indicadores, estabeleceu-se como meta inicial a taxa de 2% de erros. Já em junho de 2018, avaliando os resultados, ajustou-se a meta para 0,5% e atualmente nossa meta é 0,10% e estamos com resultados abaixo de 0,01%.

Seguiu-se investindo em capacitação do quadro funcional de Enfermagem e da Equipe da Farmácia, estimulando a notificação dos erros relacionados a esta etapa do processo no sistema. Entre as ações dos ciclos de melhoria que contribuíram para a redução de erros na dispensação de medicamentos podem ser citados os round’s e auditorias internas a fim de avaliar, orientar e dar os encaminhamentos necessários ao cumprimento deste processo. Também se iniciou a análise, divulgação e gestão dos indicadores mensais do setor, com realização de plano de ação específico das melhorias necessárias.

Imagem 16 Indicador relacionado a administração de medicamentos – Taxa de erros na administração de medicamentos (2020 – 2023)

No início de 2018 a gestão dos indicadores assistenciais era recente, estabeleceu-se como meta inicial a taxa de 2% de erros relacionados à administração de medicação. Já em junho de 2018, avaliando os resultados, ajustou-se a meta para 0,50%. Seguiu-se investindo em capacitação do quadro funcional de Enfermagem, bem como, estimulando o auto registro dos erros relacionados a este processo.  Com base na média dos resultados obtidos em 2018, a meta para a taxa de erros relacionados a administração de medicamentos para 2019 foi ajustada para 0,25%. Atualmente estamos com uma meta de 0,10% e com resultados de 0,01% de erros de administração.

O resultado favorável pode ser justificado devido aos investimentos realizados pela Instituição, já citados no decorrer deste projeto, tais como: 

  • Aquisição de palm top para a checagem da medicação a beira leito em todas as unidades de internação;
  • Aquisição de unitarizadora Opuspac; 
  • Identificação das medicações por cores conforme classe; 
  • Confecção e utilização de etiquetas padronizadas de validade de medicamentos e produtos; 
  • Instituição de farmácia clínica e reconciliação medicamentosa; 
  • Dupla conferência e controle de medicamentos de alta vigilância e controlados nas

Unidades de Internação e responsabilização da chave para o enfermeiro do turno;

  • Substituição da heparinização para salinização dos acessos venosos; 
  • Aquisição de frigobar para todas as Unidades para a guarda de medicações termolábeis;
  • Aquisição de caixas acrílicas com chave para a guarda de medicações de alta vigilância nas unidades.

A maioria dos eventos registrados estão relacionadas a falhas de omissão de medicamentos percebidas pela equipe do turno seguinte. Ainda há necessidade de evolução para a auto notificação, ou seja, o profissional que cometeu o erro, ele mesmo realizar a notificação, e não o seu colega.

Após a padronização e implementação dos processos de qualidade e segurança, somadas as ações de melhoria na estrutura física da Farmácia Hospitalar e demais ações descritas deste processo, a Instituição investiu na instalação de novas tecnologias, capacitação e aprendizagem dos profissionais da saúde.

Segue abaixo os beneficiados pelo modelo proposto:

PÚBLICO ALVOBENEFÍCIOS
MédicoSegurança na prescrição, agilidade no processo e garantia do tratamento prescrito.
EnfermagemSegurança na administração, agilidade no processo e diminuição do retrabalho e mais disponibilidade de tempo para a assistência ao paciente.
FarmáciaControle e gestão de estoque, rastreabilidade da medicação, agilidade na avaliação da prescrição e dispensação de medicação.
PacientesQualidade e segurança no tratamento.
Equipe multidisciplinarInformações atualizadas em tempo real e de fácil acesso.
Instituição Mitigar e evitar eventos adversos e redução de processos judiciais.

Atualmente, o Hospital Vida e Saúde conta com cobertura total do processo medicamentoso, proporcionando um atendimento humanizado com qualidade e segurança para o paciente e profissionais envolvidos.

Conclusão

Com a finalização da implementação do processo medicamentoso, desde o recebimento até a administração no paciente, a Instituição obteve uma significativa melhora nos resultados, conforme pode-se verificar nos indicadores de gestão relacionados a segurança na prescrição, uso e administração de medicação.  No período avaliado, não ocorreu nenhum evento adverso classificado como letal, relacionado ao processo medicamentoso, nesta Instituição.

O conjunto de ações desenvolvidas pela Gestão no atendimento seguro ao paciente, e em especial ao relacionado a medicação segura, trouxe a satisfação dos pacientes, familiares e profissionais envolvidos no processo.  Além disto houve diminuição de custos e retrabalho, propiciando ao profissional de saúde maior disponibilidade de tempo na assistência direta ao paciente.

Pode-se afirmar que com a implementação desse processo, investimento tecnológico, melhoria da infraestrutura, a capacitação dos profissionais e gestão dos indicadores assistenciais de segurança, a direção considerou os custos como um importante investimento a favor das vidas que podem ser preservadas e ou salvas através de um protocolo medicamentoso seguro.  

Bibliografia

CARVALHO, Jonathas. A Importância do Profissional Farmacêutico no Âmbito Hospitalar. Tese (Graduação em Farmácia). Faculdade de Educação e Meio Ambiente FAEMA. Ariquemes – RO, p. 31. 2017).

TRAJANO, LCN Gestão farmacêutica na farmácia hospitalar: aumento da qualidade e segurança ao paciente e racionalização de recursos. Revista da FAESF, vol. 3, n. 2. p 4-8, Abr-Jun 2019.

MONTEIRO, E. R., Lacerda, J. T. de, & Natal, S. Avaliação da gestão municipal na promoção do uso racional de medicamentos em municípios de médio e grande porte de Santa Catarina, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 37(5), (2021).

QUEIROZ, C. N.; Souza, E. C.; Santos, M. M. H. A Cadeia Logística e a Segurança do Paciente: uma abordagem sobre o impacto da gestão da assistência farmacêutica na garantia da qualidade de suas ações. Jaboatão dos Guararapes. (2016).

VEIGA, E.; DE SOUZA, T.; MANGIAVACCHI, B. Gestão e acreditação da farmácia hospitalar. Revista Científica Interdisciplinar. v. 6, n. 1, p. 208-217, 9 jun. 2021.

ANDREOLI, GLM, Dias CN. Planejamento e Gestão Logística de Medicamentos em uma Central de Abastecimento Farmacêutico Hospitalar. RAHIS, 2015.

TELES, J. H. F. de S., Barbosa, A. F. B., Khouri, A. G., Santos, S. O., Costa, A. C. da, Silveira, A. A. da, & Souza, Á. P. S. Estudo de viabilidade do sistema de distribuição de  medicamentos por dose unitária (Sdmdu). Referências em Saúde do Centro Universitário Estácio de Goiás, 3(01), 0817. (2020).

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada nº 67, de 08 de outubro de 2007. Regulamento Técnico sobre Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para uso humano em farmácias e seus anexos. Diário Oficial da União; Suplemento nº195, 09/10/2007, seção1, p.29.

LIMA, E. D.; Silva, R. G.; Ricieri, M. C.; Blatt, C. R. Farmácia clínica em ambiente hospitalar: Enfoque nos registros das atividades. Revista Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde v. 8, n. 04, p. 18-24. (2018).

Autor: PRAISCHARDT, Tatiana Raquel

Ina, assistente virtual da Opuspac University

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